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Vento todo a favor *

Luiz Zanin Oricchio

11 de dezembro de 2012 | 08h29

Nem nós e nem ninguém sabe se o Corinthians vai se tornar campeão mundial. O que até a estátua de São Jorge sabe é que o vento está soprando a favor do Timão. Em condições normais de temperatura e pressão não deverá ter trabalho em se desvencilhar do primeiro adversário, o egípcio Al Ahly. Em tese, será mais fácil do que o trabalho do Chelsea contra o mexicano Monterrey. Os dois – Corinthians e Chelsea – deverão estar na final, domingo, se é que resta alguma lógica ao futebol. Então será a hora da verdade.

Vamos pensar: em alguma outra fase da sua existência o Corinthians já esteve mais preparado do que agora para enfrentar desafios desse tipo? Talvez o time da Democracia Corintiana, com Sócrates, Casagrande, Vladimir & Cia fosse mais brilhante. Talvez, não. Era mesmo muito mais brilhante. Pode ser que o Corinthians de Carlos Alberto Parreira, com Vampeta, Kléber, Gil, Ricardinho etc fosse temível, com seu toque de bola, jogo chato e eficaz.

Mas, agora, com esse padrão consistente do Tite, é possível que o time tenha chegado ao ápice de sua história. Pelo menos sua história recente, ao alcance da memória deste cronista. Os adversários dirão que o Corinthians atual não empolga. Certo: não empolga os rivais, torcedores de outros times que agora estão morrendo de dor de cotovelo dos corintianos. Por certo empolga a Fiel, que nunca havia comemorado uma Taça Libertadores da América, o mais belo (e para mim o mais difícil) dos títulos. Por que não pode agora chegar ao título mundial, derrotando o combalido mas ainda temível Chelsea? Acho que reúne todas as condições de vencer.

O título mundial (se primeiro ou segundo, isso aqui não importa) coroaria essa ótima fase corintiana. Fruto de uma impressionante recuperação, após o descenso, com a volta imediata à Primeira Divisão e uma aparente renovação de gestão do seu futebol. Deus sabe que tenho horror a essa história de “gestão empresarial”. Acho válida (e ainda assim, com restrições) quando aplicada…a empresas. Acontece que clube de futebol não é uma empresa. Não nasceu para dar lucro a acionista. Nasceu para fundar uma comunidade, congregar torcedores em torno de um time, provocar emoções e sentido de pertencimento ao seu grupo. Precisa de bom futebol e títulos. É para isso que existe.

De qualquer forma, a gestão do Corinthians modernizou-se. Tornou-se mais eficaz e ousada. Ele, que era gerido com o mesmo amadorismo do Palmeiras e de outros clubes, afirmou-se com uma série de tacadas certeiras. A volta à Primeira Divisão, a chegada de Ronaldo, a manutenção de Tite após o tsunami Tolima, o estádio em Itaquera. E, por fim, esse time montado sem nomes estelares, mas com muito bons jogadores que interagem de maneira coesa. E um técnico que, por ser professoral pode ser muito tedioso para nós, mas sabe montar um time, tem ideia clara do jogo e parece manter domínio completo sobre o elenco. Pela grandeza de sua torcida, o Corinthians era um gigante potencial, como o Flamengo. Com sua força própria, agora bem direcionada, e os aliados poderosos de que dispõe, está prestes a se tornar uma potência de fato. Os outros clubes que se cuidem.

 * Coluna Boleiros, publicada no Caderno de Esportes do Estadão

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