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Veneza: uma reparação a Bellocchio

Luiz Zanin Oricchio

08 de maio de 2011 | 13h32

O Festival de Veneza divulga que Marco Bellocchio receberá um Leão de Ouro pela carreira na edição de 2011. Justo? Justíssimo. Mais do que isso, é uma reparação a um cineasta que tem sido muito maltratado em seu país. Em 2003, Bellocchio concorreu com seu maravilhoso filme político Bom Dia, Noite, e perdeu para o limitado Brokeback Mountain, o dos caubóis gays de Ang Lee. Há um desnível abissal entre os dois filmes, mas o júri entendeu de outra forma. Ano passado, Bellocchio esteve em Veneza com Sorelle Mai, um filme doméstico e cheio de inventividade, que passou fora de concurso e foi visto por pouca gente.

Veneza, sob a batuta de Marco Müller, acende uma vela para os asiáticos (o diretor do festival é especialista em China) e outra para os americanos, que garantem astros e estrelas na passarela. Enquanto isso, a América Latina é esquecida e a produção local se faz representar por concorrentes pífios. Os grandes – Bellocchio entre eles – estão relegados ao segundo plano. E já perceberam.

Tanto assim que filmes excepcionais como Vincere, de  Bellocchio, Gomorra, de Garrone, ou Il Divo, de Paulo Sorrentino, foram apresentados no arquirrival de Veneza, o Festival de Cannes. A revista Cahiers du Cinéma considerou Vincere um dos melhores filmes do ano. Também está no festival francês a nova produção de outro dos ícones da Bota, Nanni Moretti. São os franceses que reconhecem o cinema italiano no que ele ainda tem de grande. Aos 70 anos, Bellocchio é um dos maiores cineastas em atividade no mundo. Mas na Itália, como em outros países, santo de casa não faz milagre.

Enquanto isso, Veneza agoniza sob o peso de suas idiossincrasias. O Leão especial seria uma espécie de autocrítica dos organizadores? Parece que sim. Mas isso eles não admitirão jamais.

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