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Dindi e Sábado à Noite vencem em Tiradentes

Luiz Zanin Oricchio

28 de janeiro de 2008 | 09h57

Meu Nome É Dindi, de Bruno Safadi, e Sábado à Noite, de Ivo Lopes Araújo, foram os vencedores do Festival de Tiradentes. Os filmes integram a Mostra Aurora, composta por iniciantes em longa-metragem. O primeiro foi eleito pelo Júri de Críticos, uma das novidades desta edição do festival. O segundo, foi escolhido pelo ‘júri jovem’, a outra inovação da mostra mineira, formado por integrantes de uma oficina de crítica cinematográfica ministrada pelo crítico Cléber Eduardo.

Os dois júris, além de elegerem os filmes vencedores, escolheram também ‘destaques’ da mostra. Para o júri de críticos, foi o trabalho de Petrus Cariry (diretor) e Ivo Lopes Araújo (fotógrafo) em O Grão. Para o júri jovem, o plano-seqüência de Ainda Orangotangos.

Já o júri popular, que até esta edição era o único responsável pela avaliação em Tiradentes, escolheu como melhor vídeo A Hora do Primeiro Tiro, de Gustavo Jardim (MG); melhor curta, Câmara Viajante, de Joe Pimentel (CE); e melhor longa-metragem, O Senhor do Castelo, do paraibano Marcus Vilar.

A mostra Aurora foi de muito bom nível. A seleção composta por Ainda Orangotangos (Gustavo Spolidoro, RS), Crítico (Kléber Mendonça Filho, PE), Sábado à Noite (Ivo Lopes Araújo), O Grão (Petrus Cariry, CE), Corpo (Rubens Rewald e Rossana Foglia), Amigos de Risco (Daniel Bandeira, PE) e Meu Nome É Dindi, de Bruno Safadi (RJ) revela realizadores em início de carreira criativos e preocupados com as questões da linguagem cinematográfica, buscando meios originais para representar suas idéias.

O vencedor Meu Nome É Dindi trabalha numa linha que, resumida, poderia parecer até melodramática, mas que, na tela, progride de surpresa em surpresa. A protagonista (vivida por Djin Sganzerla) é dona de uma mercearia antiga, às portas da falência pela concorrência de um supermercado ao lado. O começo muito bonito, num longo plano-sequência de cinco minutos, logo é contrastado pela presença um tanto expressionista de um dos credores de Dindi (Carlo Mossy). O filme prossegue numa linha de estranhamento progressiva com Dindi boiando entre a memória e o presente, a fantasia e a realidade. Em sua construção cinematográfica muito inventiva, Safadi mostra como é possível conciliar o rigor conceitual com o calor da emoção. Trata-se de um filme fora do comum, e isso é um elogio.

Os outros concorrentes são igualmente interessantes. A rarefação de Sábado à Noite, as surpresas que transformam o plano-seqüência de Ainda Orangotangos numa montanha-russa, as falas de jornalistas e realizadores alternadas com imagens de filmes em Crítico, os tempos lentos e expressivos de O Grão, o sentido de mistério em Corpo, o ritmo da esticada noturna de Amigos de Risco – são aspectos que levam a crer numa renovação de qualidade para o cinema brasileiro.

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