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Vamos levar os jogos a sério?

Luiz Zanin Oricchio

16 de junho de 2009 | 09h29

Andei vendo uns jogos no fim de semana e cheguei à conclusão de que às vezes falta seriedade no começo do campeonato. De que outra maneira, por exemplo, explicar a derrota do Santos diante do Botafogo ou a goleada que o Flamengo sofreu do Coritiba? O visitante perder do dono da casa, ainda mais em futebol tão nivelado, é a coisa mais normal do mundo. Não falo dos resultados em si. Falo é da forma como esses times derrotados jogaram. Flamengo e Santos praticaram um futebol anêmico, sem tônus, sem musculatura, sem adrenalina. Para simplificar: sem vontade.

Claro, cada clube tem seus problemas internos. Em alguns casos são salários atrasados, em outros o elenco rachado, a vontade de fritar o treinador ou qualquer coisa do tipo. Isso tudo se reflete em campo. Mas, às vezes, acho que falta mesmo é consciência de que os pontos que agora se perdem não se recuperam jamais. Sempre existe escondido, por trás da preguiça, aquele velho raciocínio: “Quando a coisa esquentar de vez, tudo será diferente.” Memória, talvez, dos velhos (e nem tão bons) tempos de outras fórmulas de disputa, quando a fase inicial não valia praticamente nada e tudo se decidia apenas nas rodadas finais.

Esta era a fórmula que se acomodava melhor a um velho hábito brasileiro, o de deixar tudo para a última hora. Só que não é mais assim, e os jogadores, treinadores e mesmo torcedores ainda não acordaram para a nova realidade, embora o sistema de pontos corridos esteja em seu sétimo ano consecutivo de aplicação. Parece que ainda não conseguimos mudar nossa cultura ancestral. E qual seria a nova cultura, proposta pela fórmula de pontos corridos? A da poupança de pontos. Ponto perdido é como dinheiro jogado fora. Não volta mais. Mas o jogador brasileiro está mais para cigarra do que para formiga. O que tem seu lado positivo e seu lado negativo, porque as cigarras costumam cantar. Quando sabem. Mas nada justifica a leseira que às vezes se vê em campo. Achar que talento dispensa o suor, é o maior dos enganos. Mesmo porque o talento não anda sobrando por aí…Então, vamos pelo menos suar a camisa, moçada!

Com certeza veremos o contrário de tudo isso nos dois jogões de amanhã – Nacional x Palmeiras, pela Libertadores , e Corinthians x Internacional, primeira final da Copa do Brasil. Ninguém sabe se haverá show e muitos gols. Mas, por certo, não faltará empenho e desejo de vencer. Se tivermos boa sorte, haverá dramaticidade, reviravoltas, surpresas. Tudo o que é necessário para que esse grande teatro popular que é o futebol aconteça. Se não for pedir muito, gostaríamos também que houvesse boa técnica, mas esta, como o canto das cigarras, anda cada vez mais difícil de encontrar.

Não começamos muito bem na Copa das Confederações. Pareceu o típico caso de salto alto depois de considerar a partida ganha. O que se viu então foi o Egito empatar e dar um sufoco no Brasil, que só se salvou com aquele gol achado num pênalti. Dunga deu certa estabilidade ao time, mas deixou pontos frágeis, que já se tornaram manjados. Um deles está na lateral-esquerda, uma bela avenida por onde se pode passear sem problemas. A longa má fase de Kléber tem sido recompensada com a titularidade. Gilberto Silva e Elano tornam o time mais previsível, no mau sentido do termo. Aparentemente, ocupam cargos de confiança. Será que vai continuar assim?

(Coluna Boleiros, 16/6/09)

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