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Utopia e Barbárie vence o Festival do Paraná

Luiz Zanin Oricchio

12 de outubro de 2009 | 19h19

“Os longas-metragens Utopia e barbárie, de Silvio Tendler, e Terra sonâmbula, da cineasta portuguesa Teresa Prata, foram os grandes vencedores da quarta edição do Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino, segundo o júri oficial, nas categorias de Melhor Direção e Montagem e de Melhor Filme e Roteiro respectivamente. Idealizado pela atriz e produtora Ittala Nandi, o evento aconteceu entre os dias 5 e 11 de outubro, no Museu Oscar Niemeyer – MON, em Curitiba. Estavam concorrendo ao prêmio Araucária de Ouro 22 produções: 10 longas, sendo cinco brasileiros e cinco latinos (Argentina, Bolívia, Itália, México e Moçambique), e 12 curtas, sete nacionais e cinco espanhóis. O filme paranaense Brasil santo – Retratos da fé, de Gil Baroni e Monica Rischbieter, foi escolhido o Melhor Filme pelo júri popular.

O filme do diretor Silvio Tendler, Utopia e barbárie, apresenta um retrato do mundo depois da Segunda Guerra Mundial. O documentário, que demorou 19 anos para ficar pronto, teve a sua conclusão adiada muitas vezes em função de novos acontecimentos importantes na história do país e do mundo. “Foram 19 anos que valeram a pena. Estou muito feliz de ter mostrado esse filme pela primeira vez aqui em Curitiba, disse Tendler emocionado. “Esse festival tem gosto e clima dos velhos festivais. Aqui não tem tapete vermelho, mas tem cinema!”, ressaltou o diretor.

Dirigida por Fernando Belens, a produção baiana Pau Brasil foi contemplada em três categorias: Melhor Ator (Bertrand Duarte), Melhor Atriz Coadjuvante (Fernanda Belling e Milena Flick) e Melhor Direção de Arte (Moacyr Gramacho). Adaptado do livro homônimo de Dinorath do Valle, o filme mostra um pequeno povoado, onde as famílias de Joaquim e Nives moram lado a lado. Apesar de conviverem com a mesma estrutura perversa de opressão social, lidam com a vida de modos radicalmente diferentes. O longa de estreia dos atores Thiago Luciano e Beto Schultz, Um dia de ontem, levou o prêmio de Melhor Trilha Sonora (Monica Besser e Felipe Prazeres).

O boliviano Tonchi Antezana recebeu menção honrosa por Cemitério de elefantes, que também levou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante (Fernando Peredo). O cineasta italiano Gianni Di Gregório foi agraciado com os prêmios Especial do Júri e Melhor Atriz (Grazia Cesarini Sforza, Marina Cacciotti, Maria Cali e Valeria De Franciscis). A produção argentina O bosque, de Paulo Siciliano e Eugênio Lasserre, ganhou nas categorias Melhor Som (Eugenio Lasserre) e Melhor Fotografia (Pablo Yannielli e Pablo Alberti).

Na categoria curta-metragem, o grande vencedor da noite foi o filme espanhol Porque há coisas que nunca se esquecem, de Lucas Figueroa. A produção levou os prêmios de Melhor Direção, Melhor Filme, Melhor Montagem e Melhor Direção de Arte. Outra produção espanhola, Socarrat, dirigida por Juan Hernández, ganhou os prêmios de Melhor Roteiro (David Moreno) e Melhor Fotografia (Juan Hernández). O curta paranaense Inverno, dirigido por Paulo Trejes, conquistou o prêmio de Melhor Atriz (Milena Toscano) e Doido Lelé, filme de estreia da jornalista e cineasta baiana Ceci Alves dos Santos, foi agraciado na categoria Melhor Ator (Vinícius Nascimento).

Em sua quarta edição, o Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino apresentou 55 filmes (longas e curtas), sendo 22 produções em competição. A atriz paranaense Letícia Sabatella foi homenageada com o prêmio Dina Sfat criado esse ano e dedicado a grandes intérpretes e mulheres politicamente engajadas. A atriz recebeu o prêmio das mãos de Fernanda Montenegro, que foi convidada por Ittala Nandi para fazer uma palestra sobre a obra do cineasta carioca Leon Hirszman, um dos fundadores do cinema novo. A atriz Fernanda Montenegro falou para mais de 150 pessoas no salão de eventos do Museu Oscar Niemeyer – MON.

Fora de competição, o evento apresentou quatros mostras: Paranaense de cinema, Leon Hirszman, Pietro Germi e Eros inteligente. No dia do encerramento, 11 de outubro, o festival exibiu o documentário Hotxuá, que marca a estreia de Letícia Sabatella e Gringo Cardia na direção; e o filme Em teu nome, do diretor gaúcho Paulo Nascimento, vencedor de quatro Kikitos no 37º Festival de Gramado de Cinema, realizado em 2009.”

Vencedores do prêmio Araucária de Ouro na categoria longa-metragem
Melhor Direção (R$ 110 mil) – Silvio Tendler, Utopia e barbárie
Melhor Filme (R$ 80 mil) – Teresa Prata, Terra sonâmbula
Melhor Ator (R$ 8 mil) – Bertrand Duarte, Pau Brasil
Melhor Atriz (R$ 8 mil) – Grazia Cesarini Sforza, Marina Cacciotti, Maria Cali e Valeria De Franciscis, Almoço em agosto
Melhor Ator Coadjuvante (R$ 5 mil) – Fernando Peredo, Cemitério de elefantes

Melhor Atriz Coadjuvante (R$ 5 mil) – Fernanda Belling e Milena Flick, Pau Brasil

Melhor Roteiro (R$ 8 mil) – Teresa Prata, Terra sonâmbula

Melhor Fotografia (R$ 8 mil) – Pablo Alberti e Pablo Yannielli, O bosque

Melhor Direção de Arte (R$ 8 mil) – Moacyr Gramacho, Pau Brasil

Melhor Trilha Sonora (R$ 8 mil) – Monica Besser e Felipe Prazeres, Um dia de ontem
Melhor Som (R$ 8 mil) – Eugenio Lasserre, O bosque

Melhor Montagem (R$ 8 mil) – Bernardo Pimenta, Utopia e barbárie

Vencedores do prêmio Araucária de Ouro na categoria curta-metragem

Melhor Direção (R$ 15 mil) – Lucas Figueroa, Porque há coisas que nunca se esquecem

Melhor Filme (R$ 10 mil) – Lucas Figueroa, Porque há coisas que nunca se esquecem

Melhor Ator (R$ 3 mil) – Vinícius Nascimento, Doido Lelé

Melhor Atriz (R$ 3 mil) – Milena Toscano, Inverno

Melhor Roteiro (R$ 3 mil) – David Moreno, Socarrat

Melhor Fotografia (R$ 3 mil) – Juan Hernández, Socarrat

Melhor Montagem (R$ 3 mil) – Lucas Figueroa, Porque há coisas que nunca se esquecem

Melhor Direção de Arte (R$ 3 mil) – Lucas Figueroa, Porque há coisas que nunca se esquecem

Em 2009, o júri na categoria longa-metragem foi formado por Alberto Flaksman (assessor Internacional da Ancine), Ézio Massa (cineasta argentino), Marcelo Janot (crítico de cinema) e Paulo Munhoz (cineasta). Para curta-metragem, a comissão julgadora foi composta por Daniela Escobar (atriz), Beto Carminatti (cineasta) e Renato Ribas (jornalista).

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