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Uma Mulher sob Influência: um grande Cassavetes

Luiz Zanin Oricchio

02 Fevereiro 2007 | 18h00

Não à toa Uma Mulher sob Influência é considerado um dos melhores filmes de John Cassavetes. Assisti-o hoje de manhã numa sessão de imprensa do Cine Sesc. Nele estão a intensidade da direção de Cassavetes, a liberdade com que o assunto é exposto e tratado, a entrega dos atores, a começar por Gena Rowlands, mulher do diretor. Ela e um Peter Falk também magnífico fazem o casal de classe média baixa, três filhos, que vive num mar de instabilidade à flor da pele e cercado por crises latentes. Ele trabalha demais, ela se entedia, bebe, toma pílulas. Sai à noite sozinha e procura companhia masculina num bar. O marido volta, a vida continua à deriva, conclui-se que ela precisa de ajuda psiquiátrica, etc.

A disfunção está democraticamente em todos e não apenas em Mabel (Gena Rowlands) mas também em Nick (Peter Falk), nas sogras e outros parentes que infestam a casa, nos amigos, em todos e em toda parte. O interessante é a maneira como Cassavetes maneja o seu assunto. Por exemplo, fazendo um jantar de colegas de Nick transcorrer em tempo quase real para que o mal-estar com a presença exuberante de Mabel possa se impor. A tensão sexual está em toda parte, e nunca se resolve. Às vezes Cassavetes filma de costas um ator que está falando; outras insiste no superclose. Os enquadramentos nunca são banais, assim como os movimentos de câmara. O universo instável da classe média baixa aparece inscrito na linguagem do filme. É um cinema que merece de fato ser chamado de independente e não esse tipo de falcatrua que tem sido exibido por aí com esse rótulo comercial.

O filme faz parte de uma mostra de John Cassavetes que o Cinesesc realiza entre 9 a 15 de fevereiro com cinco títulos: Além de Mulher sob Influência, serão exibidos Faces, Sombras, Noite de Estréia e A Morte de um Bookmaker Chinês.