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Uma mensagem de Roberto Gervitz

Luiz Zanin Oricchio

15 de dezembro de 2008 | 15h03

Roberto Gervitz mandou e-mail a propósito da minha matéria sobre Braços Cruzados, Máquinas Paradas, que ele dirigiu em parceria com Sérgio Toledo Segall. Como acho que é de interesse geral, reproduzo o texto abaixo, com anuência do Roberto:

“Acabo de ler a sua matéria sobre “Braços Cruzados…”. Gostei muito de lê-la pois você tocou em várias questões interessantes a respeito desse filme. E sobretudo ressaltou uma coisa que em geral passa batida que é a de que ele reflete uma história coletiva, de muitos rostos e não um grande rosto abstrato com pretensões sociológicas. Aliás, nossa aproximação foi sempre mais antropológica. Mexemos como você disse com o material concreto e assim, uma idéia abstrata como a da estrutura sindical se revela na prática. Você também tocou numa coisa presente no material e cara para nós que o realizamos que é a energia e o envolvimento em relação aos personagens e aos acontecimentos. Esse sim quem sabe possa ser considerado um aspecto expresso de nossa subjetividade, aliado ao prazer de fazer cinema, de trabalhar com essa linguagem que descobríamos na realização. Nisso, acho que sua matéria sobre “Braços Cruzados…” acaba fazendo um certo contraponto ou complemento à matéria ao lado, bastante interessante. Pois em nosso filme, umas das cenas mais importantes, a cena da parada das máquinas, é ficcional, bem como a sua estética. Acho que para o realizador, na prática, no momento mesmo da filmagem, o registro ficcional e o documental são bem diferentes (ainda que haja improviso) e se constróem de matérias muito distintas qualquer que venha a ser o resultado fílmico. Quer ainda que se pretenda que ele venha ou não parecer um registro documental. É certo que as duas linguagens estão hoje separadas aparentemente por um fio tênue e por vêzes se confudem, mas do ponto de vista da realização, mobilizam conceitos e recursos distantes. A meu ver, por exemplo, em Jogo de Cena, quando filmava os depoimentos com as atrizes, Coutinho construia algo novo com elas, fazia ficção. O fazer é diferente , não sei se me explico.

um abraço,

Roberto”

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