Uma meia maratona no Festival de Cinema Latino
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Uma meia maratona no Festival de Cinema Latino

Filmes de muito boa qualidade no festival que se encerra amanhã em São Paulo

Luiz Zanin Oricchio

31 Julho 2018 | 10h53

As atrações de cinema se atropelam e se encavalam em São Paulo, disputando espaço (e tempo) com os lançamentos comerciais. De modo que nem sempre (quase nunca) podemos acompanhar tudo. Pouco falei do Festival Latino Americano de São Paulo, que amanhã encerra sua 13ª edição. E, no entanto, vários filmes mereceriam destaque, para não falar dos encontros e debates.

Ontem, consegui fazer uma meia maratona no Cinesesc e assisti a três filmes em seguida: os chilenos Princesinha e Dry Martina e o argentino Amorosa Soledad. Este último é estrelado por Inés Efron, atriz homenageada pelo evento e presente também no bom O Menino Peixe.

Leia crítica abaixo:

O Menino Peixe

Amorosa Soledad é um filme de 2008 e foi apresentado por Inés no palco do Cinesesc. Ela disse algumas coisas, entre elas que na ocasião era muito jovem e tinha uma visão ainda bastante limitada do amor. Disse também que, durante a filmagem, se sentiu muito mais próxima da parte feminina da dupla de diretores (Martin Carranza e Victoria Galardi).

Nos primeiros fotogramas reconheci o filme. É um dos raros exemplares latino-americanos que estrearam no circuito. Inclusive escrevi crítica sobre ele, na ocasião:

Leia crítica abaixo:

Amorosa Soledad

Amorosa Soledade é daqueles filmes argentinos em registro baixo, bem construídos e interpretados. Uma pequena joia, minimalista como sua atriz principal.

Princesinha e Dry Martina foram duas gratas surpresas.

Princesinha é uma ficção livre em torno de um acontecimento real (e escabroso) do Chile. Uma garota cresce numa comunidade liderada por um certo Miguel. A certa altura, aos 14 anos, ela fica sabendo da missão a ela atribuída: gerar o filho perfeito, que será o salvador do mundo.

Dirigido por Marialy Rivas, o filme, pela via do fanatismo, toca os temas do abuso sexual e da construção da identidade feminina. Muito bem filmado, envereda para um desfecho sacrificial, no qual a construção do mundo novo passa pela destruição do antigo. Belo filme.

Dry Martina é um mix bem sucedido de drama e comédia. Martina (Antonella Costa) é uma cantora em fase difícil de sua vida sexual. Por acaso conhece um jovem chileno que a livra da frigidez. Quando o jovem some, ela parte atrás dele em Santiago. Há um périplo de confusões, em que se misturam casos de paternidade e a descoberta de uma possível irmã, até então desconhecida.

Muito simples, o filme tem bom ritmo e agilidade. Uma comédia inteligente, mas que não deixa de tocar em assuntos sérios – como fazem as boas comédias.

Por essa única amostra de um dia, fica claro o quanto perdemos pela relativa falta de contato com o cinema feito nos países vizinhos.

Volto ao tema.