Uma experiência única
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Uma experiência única

Luiz Zanin Oricchio

31 de outubro de 2006 | 14h13

juve
Cena de Juventude em Marcha

Quando disse a uma amiga que ia ver Juventude em Marcha, ela me preveniu: “Prepare-se para uma experiência única. Ou três horas de tédio”. Fui. O filme do português Pedro Costa exige uma certa paciência no início, até alguma resignação. Mas é, de fato, uma experiência única. Literalmente falando, porque nunca você viu nada igual. Ele passa hoje, às 21h10, na Sala UOL de Cinema.

Você verá em cena, um personagem, Ventura, um homem negro, de uma certa idade, elegante. Qual é o ambiente? Primeiro, o bairro pobre de Fontainhas, cujas casas foram demolidas. Os moradores, Ventura inclusive, foram transferidos para um conjunto habitacional, problemático como todos, em Casal Boba, um bairro novo. Ventura foi abandonado pela mulher e escreve uma carta de amor para ela. É pungente e a carta vai sendo repetida ao longo desse filme impossível de classificar como documentário ou como ficção, já que os personagens, digamos reais, “interpretam” a si mesmos.

O filme é também político à sua maneira, embora o diretor diga que não tem mensagens para transmitir ao mundo. É um cinema de registro, de imagens e enquadramentos tão belos quanto pinturas – que também aparecem na tela, porque Ventura, pedreiro, construiu um museu que não freqüenta.

Há um passar do tempo, e a odisséia de uma classe, a operária, com sua cultura em plena dissolução – como aliás, já havia previsto Pasolini no início dos anos 1970. O título – Juventude em Marcha – é, claro, uma bela ironia. Não é iguaria para todos gostos, mas eu não perderia a oportunidade. Clique aqui e leia uma entrevista de Pedro Costa na Revista Cinética.

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