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Uma carta de Domingos Oliveira

Luiz Zanin Oricchio

21 de novembro de 2013 | 21h27

Desculpe se escrevo com tanta intimidade, nunca tive vocação para divulgador. Mas defender os filmes é obrigação do cineasta.

Estou com dois filmes prontos faz mais de um ano. São bons filmes. Mas não encontro distribuidores, que estão voltados para um tipo de filme que atualmente faz milhões de espectadores e não querem saber de mais nada. Descobriram que o cinema brasileiro é um bom negócio.

Finalmente consigo agora lançar meus filmes em dois cinemas do Rio (Vivo Gávea e Estação Botafogo) e um em São Paulo (Arteplex Augusta). Em idade provecta, vejo-me reduzido portanto à categoria de autor de filme “cabeça”. Provavelmente estou repetindo o que vocês estão cansados de saber. Mas o fato é que, diante disso, conseguir uma menção ou nota de um colunista é a melhor coisa que pode acontecer. Assim sendo, peço que vocês se interessem pelo assunto e tenho certeza que isso acontecerá. Se quiserem ver os filmes, me telefonem que mostrarei em qualquer hora ou local. Estreia na sexta-feira 29. Regra do jogo: se não lota o primeiro fim de semana, tiram e pronto. Sei que queixar-se da vida é o oitavo pecado capital e não pensem que estou fazendo isso, não vale a causa. É que os filmes são bons e gostaria que fossem vistos.

Poucas coisas são mais entediantes do que discutir cinema hoje em dia. Logo estamos falando em orçamentos e leis, Ancines ou ministérios não sei de que cultura. Tende a ser esquecido o fato de que um filme, no tocante ao espectador, interessa apenas por seu conteúdo, significado, essência, mensagem, missão. E através disso, pelo bem que pode fazer para quem assiste, em que pode melhorar a sua vida. Não interessa minimamente quanto custou a obra, a qual contexto político ela serve, nada disso. O espectador pergunta a um amigo: “Já viu? Sobre o que é o filme? Qual é o assunto do filme?” Nesse momento a discussão pode não ficar entediante.

Muito obrigado pela atenção,

Domingos Oliveira.

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