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Você É Tão Bonito

Luiz Zanin Oricchio

16 de janeiro de 2007 | 16h13

Sabe aquele tipo de filme que, sem ser exatamente genial, se agüenta apenas por um ator ou atriz? Taí, um desses filmes é Você É tão Bonito, que parece tão agradável apenas porque estrelado por Michel Blanc. Para quem não lembra, Blanc é o protagonista de Monsieur Hire (Um Homem Muito Esquisito), que teve um sucesso de estima considerável por aqui no começo dos anos 90.

Agora Blanc é um fazendeiro que fica viúvo depois que um acidente acontece com sua esposa, e logo en seguida procura uma substituta. E sem qualquer romantismo: simplesmente precisa de alguém para ajudá-lo na fazenda – cozinhar, passar, ordenhar a vaca, essas coisas. Descobre que mulheres romenas, sob os escombros do comunismo, estão loucas para arrumar um marido francês, e se põe a campo. O resto é uma pequena comédia romântica, com seus momentos comoventes e outros engraçados. Nada que saia muito do esquadro comum a esse tipo de filme.

A não ser por Michel Blanc que, com um pequeno movimento muscular, uma leve entonação de voz, produz aquelas nuances de interpretação que despertam o sentimento do público. De resto, o filme da diretora Isabelle Mergault, sem deixar de ser convencional, reserva uns toques diferentes nesse tipo de produção. Entre os quais, a discussão, bem abaixo do nível de superfície, de algumas questões contemporâneas da Europa unificada – onde estão os limites de território? Quem está preparado para entrar no jogo do euro e quem deve ficar de fora? Qual a relação possível entre vizinhos com tantas disparidades econômicas. Grandes discussões, que passam de leve por um pequeno filme, muito agradável de se assistir.

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