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Um Amor para Toda a Vida

Luiz Zanin Oricchio

30 de maio de 2008 | 19h42

Se é mostra de vitalidade dirigir um épico aos 84 anos, então a proeza do inglês Richard Attenborough (diretor de Gandhi e Chaplin) parece digna de todos os elogios. Um Amor para Toda a Vida traz a história de uma paixão que não morre, trabalhando em dois tempos. Durante a 2ª Guerra Mundial e no tempo presente. Mostra a guerra e mostra a paz, em dois países diferentes – Irlanda e Estados Unidos. E, de quebra, ainda coloca o pano de fundo dos combates entre ingleses e irlandeses, tendo como protagonista o grupo separatista IRA.

A história gira em torno de Ethel Ann. Na velhice, ela é interpretada por Shirley MacLaine e acaba de enterrar o marido. Na juventude, e na pele fresca de Mischa Barton, ela é apaixonada pelo piloto Teddy (Stephen Amell), que parte para o combate. Dois dos amigos de Teddy também gostam da moça, um justificável arrasa-corações. E tudo se passa entre esses dois tempos: destinos cortados pela guerra, feridas que não se fecham, segredos guardados atrás de paredes, etc.

Esse ir e vir entre passado e presente não deixa de ser meio frouxo. A trama perde sustentação lá pela metade e não se recupera mais. Na verdade, trata-se de um novelão, um projeto cinematográfico bastante antiquado e com todos os vícios do melodrama, de clichês fotográficos à música melosa. Dificilmente um filme resiste sob tal sobrecarga sentimental. Mas é possível que Um Amor para Toda a Vida venha ao encontro de um público desejoso de romance, amores eternos cantados sem muita profundidade e – não poderia faltar – lições edificantes a serem tiradas ao fim da história. Pode não ser admirável como cinema, mas é bem-feito, dentro dos seus propósitos.

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