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Um 2008 mais interessante

Luiz Zanin Oricchio

26 de dezembro de 2007 | 11h47

Pelos “presentes” que os clubes receberam até agora dá para especular como será o ano de 2008 no futebol brasileiro.

O primeiro “presenteado” é justamente aquele que não precisaria de mais nada. O São Paulo fecha o ano em alta. Foi o melhor time, teve o melhor técnico, o melhor jogador, a revelação, etc. Pois bem, o clube do Morumbi parece uma daquelas crianças mimadas, que já têm tudo, e, ainda por cima, ganham um trenzinho elétrico no Natal, para inveja geral da vizinhança. O brinquedo atende pelo nome de Adriano. Claro, não se sabe se o atacante da Inter vai entrar em forma e colocar pé e cabeça na fôrma. É uma aposta. Mas qual clube brasileiro não gostaria de correr esse risco?

No extremo oposto, temos o Corinthians que, como aquele aluno que fez tudo errado, repetiu de ano e ganha pouco no Natal. Trouxe um técnico competente, Mano Menezes, mas reforços que é bom, até agora quase nada. Não pintou nem mesmo a faxina geral que seria de se esperar depois do vexame com a MSI. Como consolo, recebe a fidelidade da torcida e a bela campanha “Nunca vou te abandonar”. Mas isso ele já tinha antes.

Quem teve ano medíocre, embora nem de longe péssimo como seu maior rival, foi o Palmeiras. Não ganhou nenhum título e ainda deixou escapar a vaga para a Libertadores. Mesmo assim, não pára de receber presentes. Promessa de estádio novo, Vanderlei Luxemburgo (embora uma ala palestrina diga que este é presente de grego), patrocínio milionário, R$ 40 milhões da Traffic para torrar em jogadores. No Parque Antártica, todo mundo caminha nas nuvens. Mas vejo alguns palmeirenses com a pulga atrás da orelha. Como é que um time, que andava num miserê danado, passa à abastança de uma hora para outra, sem mais nem menos? Vamos dizer, leitor, que você more num quarto-e-sala e dirija um fusquinha velho. De repente, compra uma cobertura na Vieira Souto e a Galisteu lhe entrega a chave de uma BMW zero. Será que o fisco não viria atrás de você? Mas no mundo do futebol os sonhos são permitidos, mesmo que virem pó e pesadelo tempos depois.

Já o Santos, que teve um 2007 mediano, parece que vai ganhar o mesmo para 2008. Trocou Luxemburgo por Leão, o que não quer dizer grande coisa, exceto que o dinheiro na Vila já anda escasso. Quando Vanderlei chega, é sinal de que há grana em caixa. Quando se vai, é porque acabou, ou está acabando. É um sensor de alta precisão nesse quesito. Sintomaticamente, até agora só foram anunciadas demissões e não houve nenhuma contratação na Vila Belmiro. Achar que, pela segunda vez, Leão vai tirar do nada uma nova geração de Diegos e Robinhos é esperar pela volta de dom Sebastião.

No Rio, o Natal tem sido gordo para Flamengo e Fluminense. E há muito não se via dois times cariocas se prepararem com tanta seriedade para a temporada seguinte, o que é bom para todo mundo e, em especial, para eles mesmos.

Tudo isso, visto em perspectiva e bem misturado, faz pensar em um 2008 pelo menos mais interessante. Claro que os problemas estruturais permanecem e o futebol no País se depaupera a cada ano com a saída precoce dos talentos. O maior presente que se poderia esperar seria uma confederação pelo menos interessada em desatar esse nó. Mas desejar isso da CBF é o mesmo que acreditar em Papai Noel.

(Esportes, Coluna Boleiros, 25/12/07)

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