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Tropicalismo Now

Luiz Zanin Oricchio

24 de novembro de 2012 | 20h36

O diretor Ninho Moraes é dono de permanente e inabalável bom humor (espera-se que continue assim, já que é palmeirense). Tem também uma visão moderna sobre os fatos de cultura. Dessa forma, procurou inovar ao abordar tema que andou em voga através de vários documentários recentes, como Uma Noite em 67 e Tropicalismo. O filme de Ninho, dirigido em parceria com Francisco César Filho, diz tudo de sua proposta no título Futuro do Pretérito: Tropicalismo Now.

O tropicalismo não é algo do passado, a ser estudado para depois permanecer nas memórias ou nos livros; é vivo e atuante. Atual. O filme fala do Tropicalismo agora. “Não quis fazer um documentário convencional, procurei vê-lo no presente”, diz.

Daí o centro do filme se situar no show em homenagem ao Tropicalismo no Teatro de Arena, sob comando musical de André Abujamra. “As músicas, já tão conhecidas, foram arranjadas pelo Abu”, diz o diretor. “Uma tremenda ousadia, pois se trata de reinterpretar músicas arranjadas por um gênio como Rogério Duprat”. Os arranjos de Duprat, a partir do disco emblemático Tropicália – Panis et Circenses entraram para a história da música popular brasileira. Grudam nas músicas e passam a fazer parte da própria estrutura da composição. Pois com Abu essas músicas ressurgem, diferentes e expressivas, propondo novas leituras e emoções. Uma proeza.

Uma dessas músicas, Lindonéia, é baseada no quadro de Rubens Gershman (1942-2008). A Gioconda do subúrbio ganha vida na música de Caetano. E no filme Tropicalismo Now ganha também um rosto bastante conhecido, o da atriz Alice Braga. Como conseguiram essa participação? Ninho brinca: “Ela não poderia negar esse favor ao pai”. Sim, Ninho de Moraes é pai de Alice e não teve dificuldade nenhuma em convencê-la a reencarnar a Gioconda dos subúrbios no século 21.

Ninho não acha uma coincidência essa reatualização do debate sobre o Tropicalismo. “Ele já nasceu polêmico, naquela época em que as pessoas discutiam se podia colocar guitarra elétrica na música popular brasileira”, lembra ele, ao se referir a uma época em que até passeata contra as guitarras houve.

Os anos passaram e o vigor da polêmica não arrefeceu. Recentemente, o crítico literário e ensaísta Roberto Schwarz atacou Caetano Veloso, analisando o livro Verdade Tropical, de autoria do compositor. Schwarz, destoando do consenso, atacou o tropicalista, declarando-o aliado da modernização conservadora do Brasil da época dos militares. Integrados à indústria cultural, os tropicalistas teriam esquecido a sua original inspiração contestatória.

Ninho não nega essas contradições possíveis do movimento. Mas prefere ver a sua atualidade. “A última palavra fica com o Gilberto Gil, quando ele diz que o Tropicalismo continua, que ele não é algo datado que se acabou”, diz. “Por isso o Tropicalismo é tema de artigo recente no New York Times”, diz. “Porque é atual e tem sua palavra a dizer sobre a cultura contemporânea. A ficha caiu para os americanos, como lembrou o ensaísta José Miguel Wisnik”, diz Ninho.

 

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