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‘Travessia’ vence o 10º Fest-Aruanda

Luiz Zanin Oricchio

18 de dezembro de 2015 | 13h03

Travessia, do baiano João Gabriel, recebeu o troféu de melhor filme no 10º Fest-Aruanda. Considerado “azarão” na disputa, atropelou por fora e derrotou favoritos, em especial Para Minha Amada Morta, de Aly Muritiba, que, no entanto, recebeu os troféus de melhor diretor e roteiro.

Imperou no júri um certo distributivismo, o que é aceitável dada a boa qualidade dos filmes em competição. Nenhum concorrente saiu sem premiação. Além do troféu de melhor filme, Travessia ficou com os de melhor ator (Chico Diaz) e montagem (Lillah Halla e João Gabriel). Através da Sombra recebeu os prêmios de melhor atriz (Virgínia Cavendish) e fotografia (Pedro Farkas). Nise – o Coração da Loucura foi agraciado com o Prêmio do Público e também ganhou os troféus de direção de arte (Daniel Flaksman) e trilha sonora (Jaques Morelembaum). O documentário Invólucro ficou com o Prêmio Especial do Júri e o Prêmio da Crítica. Garoto levou a estatueta de melhor som (Uerlem Queiroz).

A curadoria dos filmes optou pela diversidade. Houve preocupação em não privilegiar uma corrente estética (ou temática) sobre outras e manter o equilíbrio entre obras de narrativa mais clássica e outras menos convencionais. Veteranos (como Julio Bressane e Walter Lima Jr.) conviveram com jovens como Caroline Oliveira (Invólucro) e João Gabriel (Travessia). Esse tipo de ecletismo inteligente dá boa dinâmica a um festival, ao contrário do que acontece em mostras muito segmentadas, em geral voltadas para iniciados.

Outro trunfo do 10º Aruanda foi a lista de convidados. Enxuta, porém muito participante, com atores como Lima Duarte, Marco Ricca e Virgínia Cavendish, e diretores como Roberto Berliner e Guilherme Fontes e um escritor como Fernando Morais. A convivência desses convidados com seus colegas e também com a imprensa e o público foi muito frutífero. Conversou-se muito sobre cinema e outros temas, num tipo de camaradagem há muito abolido por festivais de feitio mais tradicional. Estes tendem a isolar os convidados em segmentos, a pretexto de garantir sua privacidade. Festivais menores fazem do déficit de infra-estrutura um pretexto criativo para serem mais informais. E, por isso mesmo, mais produtivos do ponto de vista da troca de ideias.
Essa harmonia entre convidados, imprensa e frequentadores do evento rendeu dois encontros que devem ser marcados como pontos históricos deste festival. No primeiro, o filme Chatô – o Rei do Brasil foi discutido ao longo de quatro horas com uma plateia atenta e informada. Provavelmente Chatô não foi, e nem será, debatido com a mesma profundidade em nenhum outro lugar. Em outro encontro, o classicamente arredio Geraldo Vandré soltou-se ao voltar para sua terra natal e concordou em responder perguntas ao longo de hora e meia, para encanto da plateia. São fatos assim que, somados à qualidade dos filmes concorrentes, dão solidez a um festival. O resto é glamour, que pode ser sedutor no momento, mas não deixa traços.

LONGA-METRAGEM:

“Travessia” (Bahia) – melhor filme (Prêmio Mystica), ator (Chico Diaz), montagem (Lillah Halla e João Gabriel)

“Para Minha Amada Morta” (Paraná) – melhor diretor (Aly Muritiba), roteiro (Aly Muritiba)

“Através da Sombra” (Rio) – melhor atriz (Virgínia Cavendish), melhor fotografia (Pedro Farkas)

“Nise, o Coração da Loucura” (Rio) – melhor filme pelo Juri Popular, melhor direção de arte (Daniel Flaksman), trilha sonora (Jacques Morelembaum)

“Invólucro” (Pernambuco) – Prêmio Especial do Juri, Prêmio da Crítica

“Garoto” (Rio) – melhor som (Uerlem Queiroz)
* CURTA-METRAGEM:

“Tereza” (Paraná) – melhor curta, melhor roteiro (Maurício Biaggio)

“Santa Rosa” (Paraíba) – melhor direção (João Paulo Palitot), melhor ator ( Bertrand Araújo)

“Praça de Guerra” (Paraíba) – melhor curta paraibano, Prêmio Banco do Nordeste (melhor filme de temática nordestina), Prêmio Mystica, Prêmio da Crítica

“Sinaleiro” (São Paulo) – melhor fotografia (Jacob Solitrenik), montagem (Daniel Augusto)

“O Fim do Verão” (Paraná) – melhor atriz (Natalia Moraes)

“O Terceiro Prato” (Paraíba) – melhor trilha sonora (David Neves, Seu Pereira e Coletivo 401)

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