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Idas e Vindas do Amor

Luiz Zanin Oricchio

23 de fevereiro de 2010 | 16h23

O diretor Garry Marshall (de Uma Linda Mulher) tenta dar uma requentada no gênero da comédia romântica cruzando histórias de diversos personagens em um determinado dia – justamente o Dia dos Namorados, o Valentine’s Day, no título original. O procedimento de histórias cruzadas banalizou-se desde que se tornou marca registrada de um mestre – Robert Altman – e passou a ser copiado, tornando-se solução universal de roteiro.

Não é tão simples assim aplicá-lo. É preciso que as tramas, isoladamente, sejam boas como em Short Cuts, e intensas, como em Nashville. E, depois, quando se articularem, não deem a impressão de colcha de retalhos e sim de um tecido harmônico, que revele uma fatia de vida de cada um dos personagens e dê um ideia de conjunto da sociedade da qual eles fazem parte. Quer dizer: essa estrutura não é um macete e sim algo difícil de manejar.

Nada disso acontece nesse Idas e Vindas do Amor. Um filme que se quer muito charmoso, inclusive pelo elenco estelar no qual figuram Julia Roberts, Anne Hathaway, Jamie Foxx e a veterana Shirley MacLaine, entre outros. Algumas histórias são melhores que outras, como a de Julia Roberts e Bradley Cooper, que se conhecem no avião e começam um flerte que não sabem no que vai dar. Ou na do vendedor de flores (Ashton Kutcher), assoberbado pelas vendas nesse dia especial e que tenta dar conta do trabalho a tempo de pedir a namorada em casamento. Há um pouco de solidão e outro tanto de humor, numa história como na outra.
O panorama geral, no entanto, não consegue evitar a impressão de banalidade. Marshall não é um grande diretor, mas sempre foi conhecido pela capacidade de imprimir algum toque especial em seus trabalhos, em especial em Uma Linda Mulher que tornou famosa Julia Roberts.

Que os dois voltem a trabalhar juntos, e em outras circunstâncias, é um dado interessante de Idas e Vindas do Amor.Mas também é bem pouco para justificar quase duas horas dessas historietas pessoais que acabam não se articulando como deveriam. Com alguma boa-vontade, dá para se divertir um pouco.

(Caderno 2, 20/2/10)

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