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Tirando o chapéu para Cartola

Luiz Zanin Oricchio

23 de outubro de 2006 | 11h40

Fui ontem à noite a uma sessão concorridíssima de Cartola, de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, lá no Unibanco Arteplex. Estava presente “tout” São Paulo, como dizem os colunistas sociais. O filme passa de novo hoje às 21h40 na Sala UOL de Cinema. Eu não perderia por nada deste mundo. Lírio & Hilton fazem um documentário emocionante, porém nada convencional sobre o grande compositor carioca. Há imagens inéditas de Cartola cantando sucessos como As Rosas Não Falam e outras músicas. Mas há também imagens incríveis, e pouco vistas (eu pelo menos não conhecia) como a de Cartola ao lado do pai, que parecia mais moço do que ele. Elas foram feitas quando Cartola faliu com seu bar Zicartola e foi morar com o pai em Jacarepaguá.

Lírio e Hilton usam também farto material de arquivo, para propor uma história do seu Angenor de Oliveira, nome de batismo de Cartola, que fosse além de uma cinebio. Intercalam filmes e documentários de época para compor o painel de um Brasil que vem lá de trás, do getulismo, passa pelo período JK, Jânio e Jango, avança pela ditadura e mostra o papel que teve a música popular brasileira naquele momento convulsivo. De um lado havia a bossa nova, com seus barquinhos e azuis do céu; do outro, o engajamento do show Opinião. E, em outro canto, os velhos sambistas, com Zé Kéti, Nelson Cavaquinho, Carlos Cachaça e o próprio Cartola.

Foi uma das épocas mais férteis – e também dilaceradas – deste país. Ela aparece, ou melhor, explode na tela, através da trajetória do compositor proposta pela dupla de pernambucanos Lírio & Hilton. Filmaço, impregnado de Brasil.

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