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Tiradentes discute a última década da produção nacional

Luiz Zanin Oricchio

19 Janeiro 2007 | 10h30

Amigos, semana que vem vou a Tiradentes participar de dois debates. O festival começa hoje. Um aperitivo para vocês:

Comemorando seus dez anos de existência, a Mostra de Cinema de Tiradentes põe em foco o tema A Vitalidade do Cinema Brasileiro, refletindo sobre a última década de realizações do cinema no País. O evento começa hoje na cidade histórica de Minas e se estende até o dia 27, apresentando número recorde de 219 trabalhos, dos quais 26 longas-metragens, 59 curtas e 134 vídeos.

O problema da Mostra de Tiradentes, como o outros festivais de cinema do País, é encontrar um espaço e um diferencial em meio ao calendário já saturado. De fato, o Brasil já conta com mais de uma centena de festivais de cinema, alguns consolidados, como os tradicionais de Gramado e Brasília, outros que ainda lutam por alguma visibilidade no âmbito nacional.

Tiradentes tem encontrado esse diferencial na boa curadoria teórica. Transforma a cidade numa festa do cinema, mobilizando a população e muita gente que vem de fora para ver os filmes e os artistas neles envolvidos. Mas não se esquece da parte reflexiva e de sua importância para o desenvolvimento dessa arte. Assim, desde o ano passado, vem promovendo, com sucesso, a discussão dos filmes entre o público, o diretor e um crítico convidado. São debates muito enriquecedores. Entre os filmes que serão objeto desse debate estão Querô, O Cheiro do Ralo, Cartola, Batismo de Sangue, Proibido Proibir, entre outros.

Para este ano, além desses debates filme a filme, será realizado o 8º Seminário do Cinema Brasileiro – Idéias e Perspectivas, com a participação de nomes como Ivana Bentes (UFRJ), Cláudia Mesquita (UFSC), César Guimarães (UFMG) e Ismail Xavier (USP), além de críticos de cinema como Inácio Araújo, Amir Labaki, Filipe Furtado e Luiz Carlos Merten, do Estado. Eles irão debater temas como Recorrências Estéticas no cinema mais recente e as Questões da Representação, em especial nos filmes que elegem por tema os abismos sociais brasileiros e seus subprodutos como a incontrolável violência urbana.

Os longas que serão apresentados foram dispostos em unidades temáticas como Olhares para a Juventude, reunindo filmes como Antonia, de Tata Amaral, Proibido Proibir, de Jorge Durán, Jardim Ângela, de Evaldo Mocarzel, e Querô, de Carlos Cortez. Outro segmento é Identidade Musical, com Cartola, de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, Noel, o Poeta da Vila, de Ricardo van Steen, e Fabricando Tom Zé, de Décio Motta Júnior. Cinema em Questão traz um inédito, O Quadrado de Joana, de Tiago Matta Machado, além de Conceição – Autor Bom É Autor Morto, longa coletivo dos alunos da Universidade Federal Fluminense.

Como o festival pretende refletir sobre os 10 últimos anos de produção nacional, fez uma pesquisa ouvindo 41 críticos e pesquisadores do País para apontar os títulos mais significativos do período. Foram eleitos Central do Brasil (1998), de Walter Salles, O Invasor (2001) de, Beto Brant, e Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles. Estes filmes também serão debatidos com realizadores, o público e a crítica.

Os atores que mais se destacaram nesta década, no entender dos especialistas, teriam sido Matheus Nachtergaele e Lázaro Ramos. E o diretor mais atuante, ‘que deixou marca com mais vitalidade na nossa produção’ foi Beto Brant. Lista controversa, como todas, porque se inclui nomes e títulos realmente importantes, deixa outros tantos de fora. Mas, se até a lista dos melhores jogadores elaborada por Pelé deu polêmica, por que a de Tiradentes não haveria de dar? Polêmica, quando não descamba para briga, é sinal de vitalidade.

Adendo: como levei uma chamada do meu amigo Duda Valente por não ter citado o curador Cléber Eduardo, aproveito para remetê-los à Revista Cinética,onde há uma longa entrevista com o próprio, a respeito. Aproveitem também para dar uma olhada geral na revista. Está muito boa.