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Time da moda?

Luiz Zanin Oricchio

06 de maio de 2008 | 14h03

Pelo menos no âmbito local, sim. Com o (temporário) declínio do São Paulo, a modéstia de um Santos ainda buscando consistência e pouco disposto a gastar, e o Corinthians focado em seu maior objetivo, a volta para a 1ª divisão, o Palmeiras surge como o time badalado do momento. E não apenas porque ganhou o título paulista, embora um troféu alivie muitas pressões. É que o clube de Parque Antártica parece decidido mesmo a encerrar uma fase provinciana e reencontrar-se com sua história.

De que maneira? Pelos caminhos mais prosaicos, mas os únicos que costumam dar certo. Esses caminhos, no futebol moderno, passam pelo planejamento e pelo investimento. O Palmeiras conseguiu uma parceria forte e trouxe a melhor comissão técnica disponível. Contratou bons jogadores e solidificou a base deixada por Caio Jr. De passagem: a vida é delicada. Se Caio Jr. não houvesse perdido a classificação da Libertadores para o Atlético Mineiro, dentro de casa, talvez tivesse ficado e essa história estaria sendo hoje contada de outra maneira. Não foi o que aconteceu. Caio não agüentou o desgaste e saiu. Agora está assumindo o Flamengo para substituir Joel. Voltas da vida.

E, numa delas, Luxemburgo voltou para o Palmeiras e conquistou mais um título pelo clube. Entendo que dois dos grandes tinham mais interesse que os outros em faturar esse Paulistão – o Corinthians, que assim ganharia moral para enfrentar a dura parada da Segundona, e o Palmeiras, que sairia da fila e assim teria paz para realizar seu planejamento de longo prazo. Como se sabe, o futebol é imediatista (não deveria ser, mas é). Se, depois de perder a Copa do Brasil por goleada, o Palmeiras ainda tivesse deixado escapar o título para a Ponte, não faltariam corneteiros para trombetear que o dinheiro estava sendo mal aplicado, etc. Como sabem os palestrinos mais avisados, cornetas e amendoim já demoliram muito trabalho sério no Parque.

Dessa forma, o Palmeiras ganha fôlego para se concentrar no Campeonato Brasileiro, que começa neste final de semana. O time está bem estruturado, chega moralmente fortalecido pelo título e pode ir acumulando pontos no início de temporada, enquanto alguns dos seus principais adversários na competição estiverem focados no objetivo maior que é a Libertadores. Isso, caso passem por seus adversários do meio de semana, o que parece provável.

Com o caminho amaciado pelo título, o Palmeiras pode pensar no futuro com mais tranqüilidade. E esse futuro vai das reformas do Parque Antártica, transformando-o em arena, à volta à Libertadores. Não ficaria surpreso se esse círculo virtuoso incluísse um título brasileiro. Mas aí a coisa engrossa, pois, além dos concorrentes paulistas, o Palestra terá de encarar times igualmente bem montados, e de tradição, Flamengo, Fluminense, Cruzeiro e Internacional, para ficar nos mais óbvios. Na verdade, o Brasileirão é um dos campeonatos mais exigentes e equilibrados do mundo. Ao contrário do que acontece na Europa, aqui não tem jogo fácil e são vários os competidores que iniciam a temporada na condição de ‘favoritos’. O Palmeiras é, desde já, um deles.

E quanto à Ponte? Devemos detoná-la porque perdeu? Não. Seria esquecer a boa campanha, o time bem ajustado e de futebol bonito que, afinal de contas, chegou a uma final. Mas não dá para ignorar que entrou para essa decisão com a força de uma cambaxirra. Fraquinha, fraquinha, a Macaca não deu qualquer trabalho ao Palmeiras. O que dizer de um time que, em dois jogos, um em casa e outro fora, leva seis gols e não marca nenhum? Desse jeito, são mais 108 anos sem título.

(Coluna Boleiros, 6/5/08)

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