As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Terra

Luiz Zanin Oricchio

26 de abril de 2009 | 21h37

O termo eco-chato é contemporâneo da preocupação recente com o meio ambiente. Tendia-se, então, a ver nos ambientalistas seres despolitizados, mais preocupados com a preservação de micos, baleias e matas do que com o bem-estar de seus próprios semelhantes. Isso tudo é um pouco parte do passado, pois a noção de que a sobrevivência do planeta é de interesse de todos acabou por se impor. Sobrevivência do planeta e das espécies que nele vivem, bem entendido.

Há duas maneiras principais de abordar esse assunto – a tradicional, que procura chamar a atenção para espécies ameaçadas; a mais inteligente transforma em espetáculo a história dessas espécies na luta pela sobrevivência. É esta a opção desse belo documentário, Terra, de Alastair Fothergill e Mark Linfield.

O filme segue a linha de observação da vida de alguns animais, dramatizando-as. No limite, a recompensa suprema dessa aventura é a sobrevivência, nem tanto do indivíduo em si, mas da espécie como um todo. Acompanha a migração de ursos polares, a caminhada de elefantes do deserto, a saga das baleias e outras espécies para conseguir alimento e condições de procriação, além da necessidade de driblar um meio ambiente cada vez mais hostil.

Produzido pela equipe da BBC, o filme procura inserir os animais num ambiente familiar, quase antropoformizando-os de modo a despertar empatia. “São famílias, como as nossas”, parece dizer o documentário, em expediente semelhante ao usado por outro sucesso do gênero, A Marcha dos Pingüins. Impressiona a técnica de filmagem, com tomadas aéreas e alternância entre o zoom e os planos gerais, um resultado que custou cinco anos de trabalho às equipes. Funciona muito bem na tela grande.

(Caderno 2, 25/4/09)