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Tem filme demais?

Luiz Zanin Oricchio

20 de dezembro de 2006 | 23h54

Toda vez que chega o fim do ano ficamos agoniados com a retrospectivas e o número de filmes que foram lançados durante o período. A impressão (aliás, a certeza) de que há filmes demais no mundo aumenta a cada ano. Não tenho opinião formada sobre se isso é bom ou não. Há quem diga em favor da diversidade, outros acham que o exagero impede que os bons filmes sejam fruídos como se deve.

Por isso, vi com muito interesse que o dossiê de capa da Cahiers du Cinéma deste mês é exatamente sobre esse assunto. Os críticos da revista se preocupam: com a overdose, sentem-se incapazes de acompanhar tudo o que é lançado. E têm medo de não prestar atenção suficiente ao que de mais importante aparece. Dados do diretor de redação, Jean-Pierre Frodon: o número de estréias na França subiu de 400, em 2005, para 550 em 2006.

Especialistas debatem e chegam à conclusão de que o mercado – e os espectadores – estão saturados. Os filmes são lançados de qualquer jeito e rapidamente retirados de cartaz. Bons títulos não têm a oportunidade que mereceriam em outras circunstâncias. Os espectadores não prestam mais atenção a nada. As obras não se sedimentam. Seria preciso escolher. Mas, como selecionar?

Esse é o impasse do cinema e, de modo geral, da produção cultural. As mercadorias (porque são mercadorias) circulam cada vez mais velozmente. E, nessa velocidade, têm seu valor cultural aviltado. Como atenuar esse ritmo? Esse é o desafio, e não apenas na cultura.

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