Tchau, Gillo
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Tchau, Gillo

Luiz Zanin Oricchio

12 de outubro de 2006 | 21h04

gillo
Quem gosta de cinema político deve colocar luto fechado – morreu há pouco, em Roma, o diretor Gillo Pontecorvo, autor de duas obras-primas do gênero: Batalha de Argel e Queimada. Gillo tinha 86 anos e deixa uma obra relativamente pequena, porém de grande consistência. Batalha de Argel (1965) é quase um documentário e evoca a luta do povo argelino por sua independência, contra os franceses. Queimada (1969), com Marlon Brando no papel principal, é uma espécie de manual sobre o modo de funcionamento do colonialismo. Uma demonstração brilhante de como as potências coloniais, de qualquer período histórico, agem para manter sob seu domínio os povos colonizados.

Queimada de vez em quando passa na TV por assinatura. Batalha de Argel foi recentemente lançado em DVD pela Video Filmes, uma edição repleta de extras, inclusive uma entrevista com o guerrilheiro que contou a Gillo como as coisas tinham efetivamente se passado durante a luta pela independência.

Estive com Gillo algumas vezes: uma em Cuba, outra vez em Veneza e por último aqui em São Paulo, em 2003, quando o entrevistei para o Estadão. Era muito bem-humorado, comunista convicto e nem a retração das esquerdas no mundo todo lhe tirava a alegria. Viveu a boa vida. Salve e adeus.

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