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Tão Forte e Tão Perto

Luiz Zanin Oricchio

24 de fevereiro de 2012 | 13h28

Tão Forte e Tão Perto, de Stephen Daldry (o mesmo diretor de As Horas, O Leitor e Billy Elliot) é o relato de um trabalho de luto. De um menino e, talvez, de uma nação. Oskar (Thomas Horn) tem pai ideal Thomas (Tom Hanks). Ele brinca com o filho, estimula sua imaginação, trata-o como ser inteligente e é bastante inventivo. Num dia preciso, 11 de setembro de 2001, esse pai sai de cena. Resta a Oskar honrar sua memória seguindo a única pista deixada: uma chave, dentro de um envelope no qual há uma palavra escrita – Black.

A missão autoimposta de Oskar  será percorrer os distritos de Nova York atrás dessa pessoa – mas será que a palavra se refere mesmo a alguém com esse nome? Nessa história tão intrigante quando em tese comovente entram também em cena uma mãe meio ausente, Linda (Sandra Bullock) e um personagem insólito  (Max von Sydow), que não fala e se comunica apenas através de bilhetes.

O filme, baseado no romance de Jonathan Safran Foer, Extremamente Alto e Incrivelmente Perto (Rocco) é, de fato, mais um tentativa artística de superar o trauma do atentado às Torres Gêmeas. A questão política é limada de propósito e o que se vê é o efeito sobre uma pessoa comum, uma criança, que não entende bem o que se passou e tenta colocar um pouco de ordem e lógica num mundo que obviamente não as tem.

A estrutura do filme é engenhosa e não cai nos clichês habituais, pelo menos na maior parte do tempo. Pena que, na parte final, Daldry carregue a mão no melodrama, talvez receoso de que as pessoas não tenham se comovido o suficiente com o que viram antes. Bobagem. Sobriedade não faz mal a ninguém. E, por certo, faz um bem danado ao cinema. Mesmo assim, pela boa construção do início e pelas descobertas que o garoto Oskar faz sobre a humanidade à medida que tenta desvendar o seu mistério, o filme vale.

(Caderno 2)

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