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Sydney Pollack (1934-2008)

Luiz Zanin Oricchio

27 de maio de 2008 | 18h28

Morreu ontem, aos 73 anos, o premiado ator, produtor e diretor de Hollywood Sydney Pollack, que participou de sucessos das décadas de 1970 e 1980 como Nosso Amor de Ontem, Tootsie e Entre dois Amores. Esse último lhe rendeu o Oscar de melhor diretor em 1985. Ele lutava contra um câncer há, pelo menos, dez meses, segundo familiares. O cineasta deixou mulher e duas filhas. Um de seus trabalhos mais recentes, no qual atuou como ator e produtor, foi o longa Conduta de Risco, lançado em 2007 pela Warner Brothers. O filme recebeu sete indicações ao Oscar, incluindo melhor filme e melhor ator para George Clooney.

Sidney Pollack não foi o que se costuma chamar de um “autor”, isto é, um daqueles diretores que se notabilizam pela originalidade do estilo, pela assinatura própria e singular.

Mas foi reconhecidamente um grande artesão, aquele tipo de profissional de Hollywood que conhecia como poucos as regras da boa narrativa e sabia aplicá-la aos filmes que fazia.

Nessa linha de trabalho correto, assinou cerca de 40 longas-metragens e teve, pelo menos, um momento de grandeza com aquele que pode ser considerado seu melhor filme – A Noite dos Desesperados, de 1970.Uma direção forte para um tema duro: os casais que dançam até a exaustão para ganhar um prêmio em dinheiro durante a depressão econômica. Foi também um dos grandes papéis da vida de Jane Fonda, sua atriz para esse filme magnífico.

De certa forma, Pollack participou como protagonista desse momento especial do cinema norte-americano, que vai dos anos 60 até o final dos 70.

Naquela época, ainda era possível produzir e rodar filmes como A Noite dos Desesperados, com tema adulto, linguagem cinematográfica sem concessões, sem happy end, e tudo isso sem colocar os estúdios em pânico. Por um simples e bom motivo: havia um público para eles. Pouco depois vieram George Lucas e Steven Spielberg, o cinema tornou-se uma diversão adolescente.

PRÊMIO

Apesar de A Noite dos Desesperados ser seu melhor trabalho, não foi com ele que Pollack conseguiu seu Oscar. Ele veio com Entre dois Amores, em 1985, estrelado por seu grande amigo, Robert Redford. Aliás, ganhou dois Oscars com essa produção – o de melhor filme e o de direção.

Pollack mostrou que também tinha veia para a comédia com o impagável Tootsie (1982), com Dustin Hoffman e Jessica Lange nos papéis principais. Seus trabalhos posteriores são corretos, porém sem grande brilho, como Havana (1990), A Firma (1993), Sabrina (1995) e Destinos Cruzados (1999).

No entanto, sempre se deixam ver com prazer, pois são frutos de um grande trunfo de Pollack – sendo um grande diretor de atores, extraía o melhor do seu elenco. E, como artesão, dominava toda a técnica do cinema narrativo clássico. Seus filmes sempre tinham o ar de produto bem acabado, sem arestas. Era essa a sua virtude e também o seu limite artístico.

Pollack, que tão bem dirigia atores, era ator ele próprio. Trabalhou, em geral, em pequenos papéis em filmes de amigos, como Stanley Kubrick (Em De Olhos Bem Fechados, 1999) e Woody Allen (Maridos e Esposas, 1992). Às vezes escalava-se como ator nos próprios filmes que ele mesmo dirigia, como em Tootsie, no qual interpreta o papel de agente de Dustin Hoffman. Foi também um produtor muito ativo na indústria cinematográfica de Hollywood.

(Estadão, 27/5/08)

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