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Sorte no aeroporto e na literatura

Luiz Zanin Oricchio

30 de abril de 2007 | 18h50

Acabei de chegar em casa, de volta do Festival do Recife. Continuo tendo sorte nos aeroportos: meus aviões saem e chegam no horário, contrariando o noticiário e a indignação dos colunistas. Deve ser apenas sorte mesmo. Tudo isso para dizer que durante o vôo acabei de ler o romance de Roberto Bolaño Noturno do Chile e já engatei no seguinte, A Pista de Gelo, que acaba de sair no Brasil. Estou fascinado por esse escritor desde que li, durante as férias, um tijolaço chamado Os Detetives Selvagens. É prosa de uma originalidade feroz. Experimental sem ser hermética, dilacerada e escrita com tanta arte. Seus personagens são desgarrados, literatos obscuros, poetas bêbados ou mesmo, no caso de Noturno no Chile, um padre que exerce a crítica literária e, durante a ditadura, dá aulas de marxismo à junta militar. A Pista de Gelo, do qual já li umas 50 páginas, é um policial. Mas um policial tão diferente que nem dá para comparar com qualquer coisa já produzida no gênero. Bolaño morreu em 2003, em Barcelona, com 50 anos. Que escritor!

Obs: falando em escrever, tentei abrir meu laptop durante o vôo pois precisava acabar uma coluna para o jornal. Impossível. Não dá nem para colocar a tela na vertical, pois bate no espaldar da frente. Ou eu continuo em fase de crescimento ou o espaço entre as poltronas diminui a cada vôo que faço.

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