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Sonhos Bollywoodianos

Luiz Zanin Oricchio

03 de maio de 2011 | 10h22

Logo no início de Sonho Bollywoodiano, as três jovens brasileiras se apresentam na alfândega da Índia. À clássica pergunta “qual o motivo de sua viagem?”, uma delas começa a dizer, em português, que é atriz, está desempregada e vai tentar a sorte na grande indústria cinematográfica indiana. Outra, de espírito mais prático, atalha, em inglês: “Vamos fazer uma viagem espiritual”. Pronto. Está dada a senha. Quem busca crescimento espiritual, não tem problemas para entrar no país, ao contrário do que pode acontecer a quem procura emprego.

A ideia das moças era mesmo tentar a sorte na indústria do cinema. Mas aquilo que foi uma frase esperta para passar sem problemas pela aduana acaba por prevalecer. Sem qualquer tom grandiloquente, a viagem das três através do país terá mesmo muito de espiritual. Em especial se conservarmos para esse termo o que ele tem de mais essencial, o conhecimento de si. A viagem muda as pessoas (o mito de Ulisses é sobre isso). A viagem, num país como a Índia, é ainda mais propícia para mudanças radicais.

O filme, de Beatriz Seigner, acompanha as garotas numa trama ficcional que se dá contra um pano de fundo documental. Parece o tipo de projeto que vai tomando forma à medida que se desenvolve. Um caminho que se faz ao caminhar, como dizia certo poeta. Seus maiores méritos, o frescor da filmagem e a espontaneidade das atrizes, parecem limitados por uma carência de estrutura maior da obra. Dá para ser espontâneo e estruturado ao mesmo tempo – aliás, é o que acontece no melhor dos casos. Mas a vivacidade, mesmo falha, é preferível à perfeição vazia.

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