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Slumdog Millionaire

Luiz Zanin Oricchio

13 de fevereiro de 2009 | 14h23

Foi ontem a cabine de imprensa de Slumdog Millionaire, de Danny Boyle. Filme que vinha cercado de muita expectativa, inclusive porque tentaram colar nele o rótulo de “Cidade de Deus indiano”. Quanta tolice…Mas enfim, todo mundo queria ver o filme, que por aqui ficou sendo Você quer ser um Milionário? ou coisa que o valha.

Notei, no final da sessão, que os colegas críticos, ou parte deles, odiaram. Um deles, influente, disse numa rodinha que, se pudesse, teria saído com dez minutos de projeção. Que exagero… (sinto colocar reticências de novo). Quanta bomba não é celebrada pela crítica e até transformada em obra-prima.

Sim, Slumdog pode não ser nenhuma obra-prima, mas achei-o no mínimo bem interessante. Parece que o pessoal não entendeu que Boyle pretende um diálogo com Bollywood, e portanto está pouco se lixando para a verossimilhança no sentido realista, do imitatio.

Tem um aspecto interessante. A história é a de um rapaz que responde a perguntas num desses programas de auditório e está prestes a se tornar o milionário do título. De onde ele tira toda a sabedoria, se vem das favelas de Bombaim? Aí é que está o “x” da questão. O conhecimento vem justamente da carência, da dureza da vida transformada e assimilada em saber. De certa forma, durante a sessão, pensei em Paulo Freire, que era homem de livros mas não achava que os livros fossem a única maneira de formar um homem, como fingem pensar os nossos filisteus contemporâneos.

Só por essa sacada, o filme já vale. Mas eu sei que meus colegas pouco ligam para esse tipo de coisa…(e tome reticências, pela terceira e última vez).

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