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Simplesmente Complicado

Luiz Zanin Oricchio

26 Fevereiro 2010 | 10h54

Ver Meryl Streep é sempre bom. Mesmo quando ela funciona no piloto automático, como nesta comédia romântica dirigida por Nancy Meyers. Uma coisa se deve admitir logo de entrada: não há nenhuma pretensão de originalidade neste filme, se bem que, em meio ao ambiente pudico dominante nos Estados Unidos, Simplesmente Complicado chegue a cometer o que se poderia chamar de “alguma ousadia”. Nada que chegue a ofender as famílias, é claro.

Na história, Jane (Meryl) é mãe de três filhos e divorciada. Na formatura de um dos rapazes, reencontra-se com o ex, o advogado vivido por Alec Baldwin. Já se disse que retomar o caso com um antigo cônjuge pode ser confortável e sem surpresas, mas é prova de tremenda falta de imaginação. Acontece. Para temperar o ambiente, e lhe dar ares de ménage à trois, Jane ainda é paquerada pelo solitário arquiteto Adam (Steve Martin), que redesenha a planta da sua mansão. Sim, estamos no mundo WASP, da classe alta americana, cujo bom gosto e refinamento precisam ser comprovados a cada diálogo e gesto.

As ousadias ficam por conta dos encontros liberais de Jane com as amigas, que lembram, claro, os da série Sex and the City, pela linguagem. E há uma cena, vagamente hilária, em que os protagonistas se dão à liberdade de fumar um baseado de maconha. Riem, porque a Cannabis produz frouxos de riso, e, com eles, rimos também um pouco. Enfim, é um filme bastante convencional que tenta, o tempo todo, nos provar que não é careta demais. Às vezes consegue.