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Sidney Lumet

Luiz Zanin Oricchio

10 Abril 2011 | 01h08

Não sei qual dos filmes de Sidney Lumet me deu mais prazer, se o primeiro, 12 Homens e uma Sentença, ou o último, Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto.

Por mero acaso, revi semana passada mesmo o 12 Homens, que havia gravado na TV. Não é uma beleza, com a dignidade de Henry Fonda em destaque, como o homem que desafina o coro da unanimidade e acaba provocando a reviravolta no júri disposto a condenar à morte um garoto?

Claro, houve muita droga no meio de carreira tão prolífica, mas o que dizer de Rede de Intrigas, Sombras da Lei, Um Dia de Cão e O Homem do Prego senão que são grandes filmes?

Há quem diga que ele não era “autoral” o suficiente. Não tinha assinatura, uma marca registrada e logo reconhecível. Será? Às vezes penso que autoria pode ser um desses conceitos-fetiches, ao qual aderimos e depois acabam por se tornar camisas de força. Não sei.

Mas, mesmo assim, autor ou não autor, e daí? Importa que escolhia temas muito fortes, dirigia muito bem atores, trabalhava com modéstia e eficácia, de modo a não deixar o espectador indiferente. Quer dizer, fazia filmes muito bons.

Eu os curti muito. E, quando vi Antes que o Diabo…, um imbróglio terrível com consequências trágicas, comentei com um amigo: eis aí o Lumet, sempre em forma, sempre preciso.

Esperava ainda ver muitos filmes dele, nem me dando conta de que a idade já era avançada. Morreu aos 86 anos.

Descanse em paz, deixa um belo legado.