Sessões lotam na Mostra de Gostoso
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Sessões lotam na Mostra de Gostoso

Filmes como ‘Bacurau’ e ‘Pacarrete’, além de produções locais, vêm lotando o cinema montado na Praia do Maceió, em São Miguel do Gostoso

Luiz Zanin Oricchio

10 de novembro de 2019 | 18h40

 

A atriz Karine Teles, de ‘Bacurau’, na Mostra de Gostoso/Foto de Maria do Rosário Caetano

 

São Miguel do Gostoso/RN

Produções badaladas como Pacarrete e Bacurau (este fora de concurso) têm lotado o cinema instalado na Praia do Maceió, em São Miguel do Gostoso. O primeiro mostrou mais uma vez que sua personagem é universal e comove a todos os públicos. O segundo testou e aprovou seu impacto cinematográfico – e político -, reproduzindo as cenas de aplausos que se repetem em outros cinemas do país quando os habitantes reagem – de armas na mão – aos invasores alienígenas.  

O impacto é visível nas pessoas e dá dimensão da força de Bacurau, para até certo incômodo de um dos diretores – Juliano Dornelles – que confessa sentir falta de um debate mais cinematográfico em torno do filme. Não precisa se desesperar: não fosse tão consistente do ponto de vista cinematográfico, Bacurau não causaria semelhante impacto nas plateias, por melhor e mais oportuno que fosse seu punch político – mesmo no Brasil de Bolsonaro e com Lula finalmente livre. O conteúdo, sem a linguagem, não existe. 

De qualquer forma, foi um teste e tanto para a popularidade do filme. A sess’ão de Bacurau começou tarde, cerca de 23h30 e, por isso, temia-se debandada do público. Deu-se o contrário. A sala lotou, todas as poltronas foram ocupadas, quem não encontrava lugar sentava-se no chão ou na praia, ao lado do telão, para assistir ao faroeste caboclo de Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, premiado no Festival de Cannes. 

Outro filme, egresso de festivais anteriores e bem recebido em Gostoso, foi o memorialístico Casa, da baiana Letícia Simões, que recentemente venceu o Festival de Vitória. Um filme de reencontro da diretora com sua mãe e seu avó, e reconstituição da estrutura familiar mais ampla como forma de buscar seu autoconhecimento, Casa é um filme de camadas que, a cada vez revisto, apresenta novas nuances. Complexas são as relações familiares – de todos nós. 

Curtas

Ao lado dos longas vindos de fora, t”êm também brilhado as produções locais, no formato curta-metragem. 

O ficcional Em Reforma, Diana Coelho mostra a história de uma professora que, em vias de se aposentar, resolve construir mais um cômodo na casa ao saber que a filha adolescente regresssa para férias. Uma história de relacionamento entre mãe e filha – mais uma – tecida em tom sutil e registro discreto. 

A parteira, de Catarina Doolan, apresenta a incrível figura de Donana, defensora – e praticante – do parto natural há mais de cinco décadas. O filme não é apenas sobre parto, mas sobre a sabedoria feminina sobre o corpo e sobre a vida. 

De Minas Gerais vem o originalíssimo curta Plano Controle, misto de ficção científica e comédia de Juliana Antunes. Em meio ao ano distópico de 2016, quando uma presidente eleita foi derrubada por um golpe, uma garota tenta usar o serviço de teletransporte do seu celular para viajar a Nova York. Mas como seu plano é econômico, ela vai parar onde não espera. Bom humor e escracho numa comédia ácida e muito bem pensada. 

Também as mulheres estão no centro de Júlia Porrada, de Igor Ribeiro, e Labirinteiras, de Renata Alves, ambos na mostra do Coletivo Nós do Audiovisual. Labirinteiras resgata as artistas do bordado chamado de “labirinto”, prática ameaçada de extinção. A segunda centra-se sobre uma personagem conhecida da cidade, que abre sua vida ao cineasta para mostrar sua originalidade. É como se diz: cada ser humano é um mundo, nós é que não prestamos atenção a isso. 

Binoche 

Presente em São Miguel do Gostoso, o programador Jean-Thomas Bernardini anunciou a vinda da atriz francesa ao Brasil para comemorar os 30 anos da Imovision. A empresa de Bernardini programa o Cine Reserva Cultural, na Avenida Paulista, especializado em cinema de arte e com forte presença francesa. Haverá uma retrospectiva do cineasta polonês Krzysztof Kieslowski, cujo primeiro filme da “trilogia das cores”, A Liberdade É Azul, é estrelado por Juliette Binoche, no inesquecível papel da viúva de um compositor erudito. 

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