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Sem surpresa? *

Luiz Zanin Oricchio

24 de abril de 2012 | 10h22

Amigos, nós, que escrevemos sobre futebol, temos o mau hábito de racionalizar resultados. Tratamos tudo o que aconteceu como se inevitavelmente devesse ter acontecido. Desse modo, as desclassificações de Palmeiras e Corinthians podem ser vistas como normais, lógicas e até inevitáveis em razão dos jogos que fizeram contra Guarani e Ponte Preta, seus adversários vitoriosos.

Agora, eu pergunto: quem ousou fazer essa profecia de véspera? Que eu saiba, ninguém. Falava-se do perigo que o Palmeiras corria, nem tanto por jogar fora de casa, mas pela fase descendente do time. Mas falava-se, vamos confessar, mais por precaução que por convicção. No fundo, se acreditava que o Palmeiras passaria pelo Bugre, talvez sofrendo, mas passaria.

Já o Corinthians era dado como vencedor por antecipação. Não que o time de Tite seja um esquadrão desses de tirar o sono dos adversários na véspera dos jogos. Nada disso. Mas o Corinthians era tido como um time consistente, talvez o mais sólido do futebol brasileiro, econômico no ataque e muito seguro na defesa. E não é que o Timão havia metido seis gols no pobre Deportivo Táchira pela Libertadores? Quer dizer que, além de não tomar gols, ainda dava para golear?

Enfim, o Palmeiras fora das semifinais era algo pensável; possível, embora não provável. O Corinthians fora, era muito improvável. E os dois fora? O que estará pensando a televisão? Já esfregando as mãos para um Corinthians x Palmeiras, ainda o clássico de maior rivalidade em São Paulo, terá de se contentar com Ponte x Guarani, o dérbi campineiro.

Pois bem, dessas reviravoltas improváveis é feito o grande charme desse esporte que amamos. Nunca dá para dizer, de véspera, o que vai acontecer. E esse regulamento malfeito, com decisões em jogo único nas quartas e nas semifinais, aumenta ainda mais a possibilidade de zebra.

É capaz até de aparecer algum cartola cara de pau e dizer que o regulamento é muito bem pensado justamente por isso – aumenta os acidentes de percurso e portanto torna tudo mais emocionante. Eu prefiro entender o caso de outro jeito: o futebol é tão maravilhosamente imprevisível que desfaz os cálculos mais maquiavélicos e as tabelas mais incompetentes. Porque é lógico que o dérbi que todos, TV e federação, esperavam era o paulistano e não o campineiro.

Pelo menos, para consolo dos que “organizam” o negócio da bola, na outra ponta haverá um clássico entre grandes: São Paulo x Santos, no Morumbi. Quem arrisca palpites? Eu não. O São Paulo tem um belo time, muito bem dirigido por Leão, técnico que parece semear mais inimigos na mídia do que Vanderlei Luxemburgo, o que eu julgava impossível.

Técnicos à parte, acho os dois times bem parelhos. Com uma exceção, que atende pelo nome de Neymar. É impressionante a regularidade com o que o garoto vem definindo partidas com jogadas de pura magia e eficiência.

Se estiver inspirado (e tem estado com muita frequência), pode mandar previsões e esquemas táticos para o espaço. Com a mesma facilidade com que dá um drible ou chupa um picolé.

(Coluna Boleiros, publicada no Caderno de Esportes do Estadão)

 

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