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Santos

Luiz Zanin Oricchio

02 de fevereiro de 2007 | 20h23

Amanhã desço a serra do mar e vou dar uma conferida no 1º Festival Independente de Cinema em Santos. Os filmes – 26 longas – estão sendo exibidos no recém-inagurado Espaço Unibanco Miramar, no bairro do Gonzaga. Ao contrário do meu colega Luiz Carlos Merten, que foi poucas vezes à cidade, para mim Santos é mais do que familiar. Faz parte da minha vida. Passei todas as férias de infância lá, pois tínhamos um apartamento no Embaré. Quando me decidi por qual time torcer, escolhi uma certa equipe de uniforme branco cujo ataque se enunciava como um poema, conforme frase do José Roberto Torero: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Música, futebol sinfônico, que nos deixou a todos mal acostumados.

O festival já começou na quinta-feira, com a exibição de Querô, um filme cheio de energia que Carlos Cortez adaptou de um texto do santista Plínio Marcos. Mas há muito mais para ver. Alguns filmes conheço, outros não. Vou aproveitar para conferir a Maria Antonieta de Sofia Coppola, que produziu tanta polêmica na Europa, e Scoop, o mais recente Woody Allen. Mas há mais, e coisa de ótima qualidade, como O Sol, de Alexander Sokurov ou Sempre Bela, a pequena jóia de Manoel de Oliveira, entre outros.

Imagino que a presença dessas novas salas e deste festival sejam um alento para os cinéfilos santistas mais exigentes. Não sei em que estado andavam os antigos cinemas de rua que eu freqüentava na infância, Roxy, Indaiá e Iporanga, ali na Avenida Ana Costa, também no Gonzaga. Faz alguns anos abriu um multiplex na Ponta da Praia, mas esses cinemas de shopping raramente programam os chamados “filmes de arte”, pouco comerciais.

Tomara as novas salas e o festival dêem certo, pois Santos é uma cidade maravilhosa e merece cinemas à altura da sua importância.

Um dia ainda vou morar lá. Perto da Vila Belmiro.

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