Santos Film Festival traz filme crítico sobre a mídia
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Santos Film Festival traz filme crítico sobre a mídia

Luiz Zanin Oricchio

03 de outubro de 2020 | 20h53

O jornalista Glenn Greenwald em ‘Nossa Bandeira Jamais Será Vermelha’

Já está rolando, e segue até o dia 6, o Santos Film Festival, este ano online, com filmes que podem ser vistos na plataforma Videocamp. Neste ano excepcional (no sentido negativo do termo) estão sendo exibidas 67 produções, entre mostras competitivas e informativas.

A mostra competitiva principal terá dez longas-metragens em disputa. Entre eles, aquele que, pelo teor político, deve ser o mais polêmico da seleção. Trata-se de Nossa Bandeira Jamais Será Vermelha, de Pablo Lopes Guelli.

Pelo título, alguém pode desconfiar que se trata de um filme da direita bolsonarista. Afinal, seu título é um dos mantras das manifestações anti-esquerda, de apoio ao capitão e suas ideias em favor da ditadura militar, conservadorismo moral e liberalismo econômico extremado.

Mas, pelo contrário, o filme, de maneira incisiva, apropria-se do lema adversário para mostrar o processo pelo qual se derruba uma presidente eleita, prende-se um possível rival e prepara-se o terreno para a chegada da direita ao poder.

Com boa montagem de material de arquivo e entrevistas com os jornalistas Luis Nassif, Xico Sá e Glenn Greenwald, e com o psicanalista Tales Ab’Saber, entre outros, o filme recria essa página infeliz da nossa história, para usar a expressão de Chico Buarque em Vai Passar.

O filme constrói sua narrativa sobre a concatenação de forças conservadoras para o golpe de 2016. Mas a massa crítica sobra, em especial, para um dos vetores dessa conspiração antidemocrática – a mídia. Aqui entendida como o conjunto das corporações de TV e jornais de maior circulação. De acordo com a narrativa, a mídia, desde as manifestações de 2013, teria se alinhado na crítica aos governos petistas e preparado o terreno para a ascensão da direita no país.

Para competir com Nossa Bandeira Jamais Será Vermelha vêm longas-metragens de várias regiões brasileiras. Entre eles Como Vivem os Bravos, do Ceará, Nós, Que Ficamos, de Pernambuco, Hotel Mundial, de Goiás, e O Samba é Primo do Jazz, do Rio de Janeiro.Este último competiu no recém-encerrado Festival de Gramado e tem por personagem a cantora Alcione.

A programação completa você confere aqui: 

Mostra Competitiva Longas

  • “Nossa Bandeira Jamais Será Vermelha” (SP), de Pablo Lopes Guelli
    – “Servidão” (RJ), de Renato Barbieri
    – “Como Vivem os Bravos” (CE), de Daniell Abrew
    – “Hotel Mundial” (GO), de Jarleo Barbosa
    – “Nós, Que Ficamos” (PE), de Eduardo Monteiro
    – “O Buscador” (RJ, drama, de Bernardo Barreto
    – “O Samba é Primo do Jazz” (RJ), de Angela Zoé
    – “Um Presente À Prova de Futuro” (Brasil/Holanda), de Eduardo Rajabally

– “Eletronicamentes” (SP), de Dácio Pinheiro, Denis Giacobelis e Paulo Beto

– “InVisíveis – Pedal Cidadão & Outras Histórias” (RJ), de Léo Miguel)

 

. Mostra Humanidades:

– “A Cor Branca” (MG), de Afonso Nunes

– “IMO” (MG), de Bruna Schelb Corrêa

– “Lisergia Clássica” (SP), de Jaime Vipúdes

– “Não Tem Arrego” (GO), de Gabriel Vilela e José Eduardo

– “Rosa Vênus” (RJ), de Marcela Morê

– “Selvagem” (SP), de Diego da Costa

– “Tranças” (BA), de Lívia Sampaio

. Mostra Competitiva De Curtas

-“Ângela” (MG), de Marília Nogueira

– “Antes Que Seja Tarde” (SP), de Leandro Goddinho

– “As Viajantes” (SP), de Davi Mello

– “No Oco do Tempo” (SP) de Antônio Fargoni

– “Seremos Ouvidas” (PR), de Larissa Nepomuceno

– Sofia (Portugal), de Filipe Ruffato e Gonçalo Viana

– “Surpresas” (SP)de Flávio Colombini

– “Um dia Frio” (PR), de Victor Percy)

– “Luis Humberto: O Olhar Possível” (DF), de Mariana Costa e Rafael Lobo

– “NC5 Contra A Lei do Impedimento” (RJ), de Lúcio Branco

 

. Mostra Regional Baixada Santista

“Projeção” (Praia Grande), de Thomas Aguina

. “Vila dos Pescadores “ (Santos), de Cintia Neli da Silva Inacio e Geovanne Rafael

.“Blandina” (Santos), de Arthur Micheloto

– “Mar-celo” (Santos), de Arthur Lotto

– “Jeitinho Brasileiro” (Santos), de Dayana Santos e Luana Marques

– “Mulheres de Fé” (Santos), de Bruna Santos e Dalila Ramos

 

. SESSÕES INFORMATIVAS:

 

. Três Vezes Paulo Betti

– “A Fera na Selva”, de Paulo Betti, Eliane Giardini e Lauro Escorel (diretor e protagonista)

– “Lamarca”, de Sérgio Rezende protagonista)

– “Cafundó”, de Paulo Betti e Clóvis Bueno (diretor)

 

. Especial Julia Katharine

– “Lembro Mais dos Corvos”, de Gustavo Vinagre

 

. Momentos do Santos Film Fest

– “Receita Para a Felicidade: O Homem, O Cão e o Salto”, de Delson Mattos Gomes (documentário inaugural da 1ª edição do festival)

  • “A Mais Briosa – Um Amor 100 Divisão, de Guilherme Bernardo (longa documental vencedor do voto popular no 3º Santos Film Fest)
  • “O Coringa do Cinema”, de Sérgio Kieling (longa documental vencedor do voto popular e do júri de melhor longa no 4º Santos Film Fest)

 

 

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