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Santos e Corinthians

Luiz Zanin Oricchio

27 de março de 2008 | 23h48

Como já andaram me cobrando, vou comentar o clássico na Vila. Estive lá e exatamente por isso andei sumido do blog. Não levei computador para a Baixada, estou ainda em férias, e hoje fiquei na praia, que ninguém é de ferro. O único “especialista” com quem comentei o jogo foi com o Elias, vendedor de coco e milho verde na Enseada, e que é santista de fé.

Primeira coisa: no mesmo dia em que a CBF se esqueceu dos 50 anos da primeira Copa do Mundo vencida pelo Brasil, na Vila havia dois campeões de 1958 vendo o jogo, um em cada lado do estádio. Zito, nas sociais; Pelé, em seu camarote do lado oposto do campo. Um locutor mais esperto teria anunciado isso ao estádio.

Quanto ao jogo, achei equilibrado. São dois times com carências diferentes, um na defesa e outro no ataque. Se juntassem os dois daria uma equipe completa, ou quase. Mas me parece que o “desequilíbrio” do Santos pode ser mais interessante que o “equilíbrio” meio burocrático do Corinthians.

Agora, deficiências à parte, foi um jogaço. A Vila ferveu, a Fiel cantou, as torcidas se hostilizaram, mas, que eu saiba, não houve brigas. Foi um jogo muito emocionante, com poucos lances de técnica, no qual predominou mais a raça. Mas sabemos que esta faz parte do futebol. Aliás, às vezes, é a sua melhor parte.

Quanto aos lances polêmicos. No campo, não entendi por que anularam aquele gol do Corinthians. Revendo pela TV, talvez se veja uma falta dentro da área. Mas se o juiz tivesse validado o gol, acho que nenhum jogador do Santos chiaria. Nem a torcida.

O gol de Kléber Pereira. No campo, achei tranco normal. Revendo pela TV, talvez seja possível entender que houve um empurrão no zagueiro. Fico ainda em dúvida, dependendo do ângulo da câmera.

São dois lances de interpretação, para os quais não cabem certezas taxativas. Talvez o Corinthians possa chiar com certa dose de razão. Mas cabe lembrar que não chiou quando beneficiado com o gol anulado de Adriano pelo mesmo árbitro.

Quanto à expulsão de Betão, o lance aconteceu a poucos metros de onde eu estava. Expulsão correta, mas acho que Herrera deveria ter levado o cartão vermelho também. Apoiou ostensivamente os joelhos nas costas do zagueiro. Betão foi na dele.

Mas essa discussão de arbitragem não é a essência de um jogo muito rico, ainda que de pouca técnica. Foi um belo clássico.

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