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Sangue Azul

Luiz Zanin Oricchio

03 Julho 2015 | 16h52

Haveria muito coisa a dizer sobre Sangue Azul, mas em primeiro lugar deve-se destacar a maneira como é filmado. Note o jeito como o barco chega à ilha paradisíaca, destino dos integrantes do Circo Netuno, que estão a bordo. A câmera espreita a ilha ao longe e segue o balanço do barco, enquanto um dos membros da trupe passa mal no convés. Depois, já em terra, há a fantástica montagem da lona do circo, com movimentos que, eles próprios, já remetem à ancestral magia da arte circense.

Essa força da imagem faz parte da linguagem de cinema adotada por Lírio Ferreira, diretor de Sangue Azul. Quem o conhece de Baile Perfumado, Árido Movie, Cartola e outros projetos, sabe que suas imagens nunca são banais. Ele é um poeta da imagem, escreve com a câmera.

No caso, coloca em movimento todo um dispositivo de cinema para tratar de uma história misteriosa. Zolah (Daniel de Oliveira), o homem-bala, é natural da ilha. Ainda adolescente, deixou para trás a mãe, Sônia (Sandra Corveloni) e a irmã Raquel (Caroline Abras). Agora está de volta. Por que partiu? Esse é o mistério, apenas desvelado (em parte) nas imagens finais.

Lírio é digressivo. Aborda um sem-número de linhas narrativas e tenta percorrer todas elas. Como é difícil espremer tanta criatividade no tamanho de um longa-metragem para ser exibido em salas comerciais, algumas dessas linhas não se completam. Mas a força poética termina por se impor. No fundo, é melhor errar por acúmulo de imaginação que acertar por ausência de desejo. Excesso também é estilo.

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