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Sabor especial para a decisão

Luiz Zanin Oricchio

18 de abril de 2007 | 14h18

Amigos, minha coluna de ontem no Esportes do Estadão:

Por mais que o discurso politicamente correto tenha prevalecido ao longo da semana passada, ficou claro que tanto Santos como São Paulo foram surpreendidos por Bragantino e São Caetano. Porque uma coisa é dizer da boca para fora que ‘não existe favorito nesta fase, ninguém mais é bobo, etc.’, e outra é ver frustrada a certeza íntima de que os ‘grandes’ saltariam na frente com a maior facilidade.

Contrariados, os técnicos mostraram nervosismo depois dos jogos de sábado e domingo. Luxemburgo chegou a culpar o gramado do Pacaembu pelo número de passes errados e aproveitou para meter a boca no sistema de mata-mata. Muricy, na entrevista após o empate com o São Caetano, parecia prestes a pular sobre a jugular de repórteres que apenas queriam saber a sua opinião sobre um resultado tido como estranho.

A zebra então está à solta? Eu não diria isso, mesmo porque acredito que, no segundo jogo, Santos e São Paulo acabarão por se impor sobre Bragantino e São Caetano. Mas, depois de assistir com cuidado às duas partidas, francamente não sei não se será fácil. Futebol é jogo incerto e, se o sistema de classificação em duas rodadas contribui para que o time mais bem estruturado siga adiante, nem por isso ficam excluídos resultados considerados ‘anormais’.

Mas, desculpas à parte, achei interessante um ponto comum nas queixas dos treinadores em relação aos seus times: ambos acabaram por admitir que as equipes atuaram sem tranqüilidade. Luxemburgo disse que o Santos precisava ter calma para chegar ao gol porque quem precisava do resultado, no fundo, era o Bragantino. E, de fato, o Santos (assim como o São Paulo) joga por dois empates. Para Luxa, ir com muita sede ao pote, querer marcar a qualquer custo, deixa o time vulnerável, exposto aos contra-ataques. Coisa parecida afirmou Muricy ao dizer que o jogo ficou muito aberto no 2º tempo, com lances de ataque lá e cá. Parecia jogo de várzea, comparou.

A pergunta que não quer calar é: como as duas equipes, tidas e havidas como as melhores do País, as mais bem treinadas, se mostram incapazes de traçar um plano de jogo e demonstram pouca serenidade diante de adversários que resistem mais do que o previsto? Santos e São Paulo foram muito bem marcados. E daí? Esperavam o quê? Que os adversários os deixassem jogar, abrissem espaço para a técnica do Zé Roberto e as firulas do Leandro? Futebol é competição e Bragantino e São Caetano andaram muito bem ao anular os melhores recursos dos adversários. Devem fazer a mesma coisa nos jogos de volta, mesmo que o empate não os favoreça. Defender-se bem, enervar o adversário e esperar por um descuido para fazer um golzinho lá na frente – essa é a estratégia. E, depois do que se viu, quem pode garantir que não dará certo?

É claro que, como os técnicos, as torcidas de Santos e São Paulo esperavam que seus times saíssem na frente nessa primeira rodada. De preferência goleando os adversários. Não foi assim e ninguém pode se queixar de falta de sorte. O Bragantino esteve mais próximo da vitória do que o Santos. E se o São Paulo dominou o 1º tempo, no segundo prevaleceu o São Caetano. Canindé teve a bola do jogo em seus pés, no finalzinho, e não soube fazer.

Pode ser duro de engolir para técnicos e torcidas, mas esses placares enviesados da primeira rodada dão um tempero saboroso à reta final deste Campeonato Paulista.

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