As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Ruído na tradução

Luiz Zanin Oricchio

28 de julho de 2010 | 13h28

Hoje de manhã tomei um café com uma ex-colega de redação. Ela me apresentou o marido e, papo vai papo vem, ele me falou de um livro que acabara de lançar nos Estados Unidos. Perguntei sobre o que era. Ele me resumiu o tema da seguinte forma:

As estratégias de gestão de empresas são basicamente norte-americanas. Foram difundidas pelo mundo todo, de forma acrítica, sem levar em conta culturas locais. Os estrangeiros vêm aos EUA, fazem seus MBAs e aplicam em seus países o que aprenderam. Ou aprendem essas técnicas em seus países, através de outros professores, o que dá na mesma. Aplicam o conhecimento recém-adquirido tintim por tintim. E depois ficam surpresos quando não colhem os resultados esperados.

“É que dados específicos da cultura local não são levados em conta, assim cria-se um ruído”, explicou o marido da minha colega. Um ruído cultural. E deu um exemplo: “numa escola de samba, a adesão dos participantes é total, porque todos fazem parte daquela cultura; numa empresa, isso não acontece”.

Por mais que as corporações tentem vender a ideia de que “estamos no mesmo barco”, “fazemos parte de uma família”, ou de que “isto é um time”, os funcionários sempre ficam com a impressão de que estão sendo vítimas de uma impostura. E não aderem ao projeto da empresa. Não o sentem como seu. Há um ruído na comunicação, algo que se perde na tradução, como no belo filme de Sofia Coppola, Lost in Translation. Que, por sinal, foi muito mal traduzido em português.

O papo todo não durou mais do que cinco minutos. Aprendi muito.

Tudo o que sabemos sobre:

corporações

Tendências: