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Ronaldo…e outras bolas

Luiz Zanin Oricchio

14 Fevereiro 2008 | 13h00

Hesito em escrever sobre Ronaldo nesse momento de drama pessoal. E isso porque, sendo o brasileiro o que é, passou-se à canonização de um atleta polêmico. Polêmico? Sim. Basta lembrar toda a discussão em torno da famosa “convulsão” da Copa de 1998. Depois, toda a campanha de mídia contra sua convocação para 2002, com os resultados que se conhecem, porque chegou lá e arrebentou, sendo, ao lado de Rivaldo, o principal responsável pelo Penta. E quem se esquece da Copa de 2006, ainda tão recente?

Depois da proeza de 2002, quando ressurgiu das cinzas, Ronaldo nunca mais apresentou uma carreira regular. Alternou bons e maus momentos no Real Madrid e, na volta à Itália, agora no Milan, nunca se firmou. Não acompanhei de perto a carreira de Ronaldo em sua íntegra. Jogador globalizado, saiu muito cedo do País. Nem me lembro dele no Cruzeiro. Dizem que sua fase de ouro foi no PSV e no Barcelona. Acredito. Não vi, a não ser gols e melhores momentos e isso não fornece um panorama geral. Conheço melhor o Ronaldo da seleção e da última fase.

Agora, você não precisa conhecer a obra inteira de um artista para classificá-lo como grande. Talvez tenha sido mesmo um dos maiores atacantes de todos os tempos, como sustentam os fãs. Sabia resolver de várias maneiras os problemas enfrentados por um centro-avante. Chutava com as duas, entrava em zigue-zague, driblava. Completo, ou quase, pois tinha no cabeceio seu único fundamento deficiente.

Noto que coloquei os verbos do parágrafo anterior no passado, porque o que se fala agora é no fim da carreira de Ronaldo. Quem pode garantir? Vai ficar no estaleiro talvez por um ano. Quando voltar, se voltar, terá 32 anos, o que não é muito, mas sua estrutura física parece fragilizada pela hipertrofia muscular iniciada na Holanda. Dizem alguns médicos que com ajuda de esteróides anabolizantes, o que é uma verdadeira bomba para o organismo inteiro, e não apenas para a musculatura.

Claro que dá para voltar. Mas a pergunta que se faz é: vale a pena, para um craque, voltar num grau de desempenho muito inferior ao que já alcançou? Do ponto de vista financeiro, a resposta é sim. Mas, em nome da sua história pessoal, talvez fosse melhor parar. Isso é com ele.