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Romance de Formação

Luiz Zanin Oricchio

30 de maio de 2012 | 09h34

 

De modo geral o cinema busca o jovem no que ele tem de problemático. Drogas, desorientação, rebeldia, angústia diante da sexualidade, a natural confusão de quem está ingressando na vida adulta.

Romance de formação, de Julia de Simone, tenta um caminho novo. Busca a excelência e a afirmação, ao invés das hesitações tão comuns em certa faixa etária. Mostra, simplesmente, a maneira como quatro jovens procuram se destacar em suas respectivas profissões. Um é um pianista prodígio, que estuda na Alemanha. Outro, um estudante de direito internacional em Harvard. Uma garota cursa literatura em Stanford. E um rapaz de Minas, de família pobre, mudou-se para o Rio, para estudar no IME.

Claro, pode-se dizer que o tom é calibrado de modo a enaltecer um certo empreendedorismo que, se é moda em termos de modelo a ser dotado pela sociedade como um todo (um elogio do self made man), aqui parece apenas preocupado em valorizar o esforço individual desses jovens. Não há proselitismo político, nem arenga liberal sobre as virtudes do esforço de cada um – o que implicaria crítica imediata a qualquer tipo de ação social, com a desculpa de que se alguns conseguem, todos podem chegar lá. O documentário não entra nesse campo minado que costuma virar um fla-flu interminável entre esquerda e direita, uma contenda que, no Brasil, vive permanentemente envenenada.

Não há nada disso e, diga-se o que se quiser, é reconfortante ver pessoas moças que não reclamam, não responsabilizam os outros por seus problemas e não medem esforços para se superar. Sabem o que querem, têm um interesse real em assuntos que não costumam comover gente da sua idade, e vão em frente.

Conclusão: é impossível não simpatizar com eles. Mesmo se, numa leitura mais “social”, pudéssemos lembrar de muita gente que, mesmo tendo as características favoráveis desse quarteto, não gozou da mesma sorte ou obteve as mesmas oportunidades. De qualquer forma, há que reconhecer que todos eles se aferraram às suas chances com muita garra.

Assim, só nos cabe admirar uma jovem como Victoria Saramago, que foi aos Estados Unidos fazer seu doutorado de literatura e hoje é professora e escritora. Ou William Cortopassi que, graduado em química em Minas, veio para o Rio estudar farmacologia. Há um desejo por trás do esforço: o pai morreu de câncer quando ele era adolescente e agora quer pesquisar sobre a doença. Fábio Martino foi menino prodígio e hoje estuda piano na Alemanha e dá concertos. Caetano Altafin estuda em Harvard e está se especializando em direito corporativo.

Nao sabemos muito bem no que irão se tornar e até aonde podem ir. Mas é evidente que são, desde já, protagonistas de histórias de sucesso, orgulho dos pais, amigos e conhecidos. O documentário que os elogia é também construído de maneira muito simples, com entrevistas, mas também os mostrando em seu cotidiano, invariavelmente estudando, perseguindo seus ideais e, nos intervalos, tentando levar vidas normais. Nesse filme,que é um elogio ao esforço, há também lugar para o prazer.

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