Robin Williams, o versátil
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Robin Williams, o versátil

Luiz Zanin Oricchio

12 de agosto de 2014 | 00h06

 

O ator Robin Williams morreu ontem, aos 63 anos. Fala-se em asfixia e especula-se sobre suicídio. O ator tinha problemas com álcool e drogas.

Williams era tão talentoso na comédia como no drama. Era
um ator e atores interpretam o que lhes é pedido. Mas não é tão fácil
encontrar esse tipo de versatilidade. Era tão convincente
interpretando um tipo de histórias em quadrinhos, como Popeye, como o
professor apaixonado por literatura em Sociedade dos Poetas Mortos.

Aliás, foi esse filme de 1989 que lhe deu aura universal de grande
ator. Interpreta o professor John Keating, que tenta inocular em
alunos indiferentes a arte e o encanto da poesia. Faz isso de maneira
muito sedutora, transfigurando a literatura naquilo que ela no fundo é
– uma grande aventura -, aspecto que se torna oculto por séculos de
educação careta e redutora. Keating tira a casaca da poesia e a
apresenta como forma vital aos jovens. E, por extensão, ao público do
filme. O papel valeu-lhe o Oscar de melhor ator.

É preciso observá-lo em cena para compreender como consegue transmitir
seu fascínio aos jovens alunos. Tem a energia física e mental que
torna sua expressão absolutamente encantadora. Na verdade, ele se
torna um intérprete da poesia. Um “ator” da poesia, por assim dizer.
E, desse modo, ela sai dos livros e ganha vida própria.

Esse talento, Williams empregou em Patty Adams ou Capitão Gancho.
Mesmo em filmes menores, como Uma Noite no Museu, seu carisma
revela-se de maneira marcante. O verdadeiro ator torna grandes mesmo
os pequenos papeis. Nós o vimos no exercício dessa versatilidade no
recente O Mordomo da Casa Branca, como o presidente Eisenhower. E já
estávamos habituados a ela desde o estranho Parry, em O Pescador de
Ilusões, de Terry Gilliam.

Além de sua energia, Robin Williams tinha essa face elástica, moldável
a expressões e que, se não controlada, o levava próximo da caricatura.
Era como um músico dotado de grande técnica que às vezes abusa do
virtuosismo e passa à ostentação. Jack Lemmon tinha um pouco disso
também.

É bem possível que, no quadro de um cinema menos comercial como o dos
Estados Unidos, um talento como o dele tivesse sido chamado para
papeis mais empenhados, do ponto de vista artístico. Em Hollywood fez
de tudo, de pequenos papeis a protagonista em aventuras como as do
Capitão Gancho ou o Barão de Munchausen. Ele topava qualquer parada –
e ganhava todas em função do enorme dote da intepretação que recebeu.

Deixa então um legado muito extenso em obras e muito reconhecimento
por parte da crítica e da Academia de Hollywood. No entanto, neste
momento de luto para o cinema, e balanço prematuro de uma carreira que
deveria ir bem mais longe, creio que Sociedade dos Poetas Mortos fica
no topo, como sua obra inesquecível. O legado é o do professor, que
tão bem encarnou, ao ensinar que a arte não pode tudo, mas faz a diferença
na vida de um ser humano.

É pena que ela, a arte, não o tenha salvado
dos seus demônios internos e angústias.

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