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Ridendo castigat mores

Luiz Zanin Oricchio

18 de agosto de 2011 | 16h23

Costuma-se dizer que o gênero cômico não é levado muito a sério – frase que, bem lida, acaba por se tornar engraçada. Pois, à primeira vista, o humor não rima muito mesmo com a seriedade. Pode ser até perigoso, num mundo carrancudo em que tudo é levado ao pé da letra.

Tanto assim que em O Nome da Rosa, de Umberto Eco, uma série de crimes é cometida na abadia medieval com o fim de esconder um suposto livro de Aristóteles que trataria da comédia. No Brasil não foi muito diferente. Se não chegamos ao assassinato, pelo menos relegamos nossa melhor comédia ao limbo durante muito tempo.

Tome-se o caso da mais persistente e bem-sucedida incursão no gênero cômico, a chanchada, que floresceu entre as décadas de 30 e 50 e conseguiu inédito espaço para o cinema brasileiro no coração do seu público. No entanto, nomes como Carlos Manga e José Carlos Burle, na direção, Oscarito e Grande Otelo, na interpretação, apenas há pouco tempo começaram a …ser levados a sério.

Talvez tenha sido apenas a partir do livro de Sérgio Augusto, Esse Mundo É um Pandeiro, que a chanchada passou à sala de visitas no universo mental da crítica brasileira. Muito antes disso, no entanto, o público já se divertia à beça com Oscarito e Grande Otelo, sem refletir sobre a paráfrase crítica que faziam do cinema dominante. Basta lembrar de Matar ou Correr ou O Homem do Sputnik. A comédia é subversiva sem que pareça ser.

Rindo, castigam-se os costumes, diziam os romanos.

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