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Reler Quarup em honra de Antonio Callado

Luiz Zanin Oricchio

30 Janeiro 2007 | 20h19

Essa é a (agradabilíssima) tarefa que me imponho como forma de purgar o esquecimento dos dez anos da morte de Antonio Callado. Quarup foi o chamado romance formador de minha juventude. Uma imersão agônica no Brasil, com alguns personagens inesquecíveis, a começar pelo protagonista padre Nando. Callado tinha um estilo fluido, envolvente, gentil e apaixonado. A escolha do termo exato, boas vírgulas, boa capacidade descritiva, qualidades adquiridas e mantidas em uso pela prática do jornalismo. Quarup é marcante mas talvez seu melhor livro seja mesmo Reflexos do Baile, romance epistolar sobre a época dos seqüestros de embaixadores no Brasil da luta armada. Aliás, o Brasil da ditadura militar foi preocupação constante de Callado e tema dos seus livros. Além dos dois romances citados, escreveu também Bar Don Juan e Sempreviva, cercando o mesmo assunto mas, curioso, com técnicas narrativas diversas. Um escritor do porte de Antonio Callado faz falta no Brasil de hoje, e essas não são palavras de circunstância.