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Reinício, enfim

Luiz Zanin Oricchio

16 de janeiro de 2008 | 09h38

Ufa!, por fim vamos ter futebol doméstico. Os fanáticos dirão que o Campeonato Inglês não parou nem no Natal e agora os outros europeus já retomaram atividades. Com direito, inclusive, a show de jogadores brasileiros pelo Milan no domingo. Tudo bem, eu também vejo, mas, sabe como é?, parece aquela tal de nouvelle cuisine francesa – uma festa para os olhos mas não enche a pança. Não tem “sustância”, como se diz por aí pelo interior. Mas agora tudo recomeça, com o início do Campeonato Paulista. É o começo da temporada para nossos times e todos temos curiosidade de conferir novidades, por pífias que sejam.

Temo que seja falar o óbvio, mas é preciso dizer que o São Paulo é o favorito de sempre. De todos os times, é aquele que tem sabido manter a continuidade de trabalho, mesmo no mundo instável do futebol brasileiro. Perdeu um jogador, Breno, repôs com Juninho e ainda tem o trunfo de Adriano que, se acertar o pé e a cabeça, poderá fazer a diferença para o tricolor. Se o Paulistão fosse por pontos corridos, estaria no papo; com quadrangular final, a imprevisibilidade aumenta. Mesmo assim, o São Paulo é a primeira força.

Qual será a segunda? Santos, Palmeiras ou Corinthians? Fico com o Palmeiras. Claro, o Palmeiras da Traffic não será como o da Parmalat. Mas a simples presença de Luxemburgo no comando dá a entender que os planos são ambiciosos. Aos poucos, os jogadores vão entrando e o time já foi reforçado com a chegada de Élder Granja, Alex Mineiro, Diego Souza e Lenny. Deve ser apenas o começo. Não se sabe até onde o Palmeiras pode ir, mas será mais poderoso que em 2007.

O contrário deve ser dito do Santos. Com a troca de comando, saiu perdendo. Deixou escapar jogadores pelo menos interessantes, como Pedrinho e Marcos Aurélio, e não fez nenhuma grande contratação. Além disso, Leão parece mais preocupado em apagar os vestígios da passagem de Luxemburgo pela Vila do que em construir sobre os alicerces encontrados. Essa filosofia de trabalho (e de vida), cheia de ressentimento, não costuma dar resultado.

E o Corinthians? Bem, é o caso mais agudo. Promoveu o desmanche inevitável em time que foi rebaixado. Trouxe um bom técnico, Mano Menezes, que parece disposto a montar um time fisicamente forte. O objetivo, óbvio, é voltar à elite do Brasileirão. Nesse sentido, o Paulista será um período de testes e ajustes. Mas faria muito bem ao machucado ego corintiano vencer esse título doméstico.

Correndo por fora vem a Portuguesa, que acaba de subir para a Primeira Divisão do Brasileiro e aposta na mescla de veteranos (Christian e Zé Maria) com jovens para disputar uma das quatro vagas da fase final do Paulistão. Pode chegar a ela, por que não?

O MILAN E O BRASIL

Vendo o concerto de gala de Ronaldo, Pato e Kaká no domingo me lembrei que o Milan é velho conhecido dos brasileiros. Por exemplo, no tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça, Mazzola e Amarildo brilharam com a camisa rossonera. Amarildo quem? Pois ele foi o homem que substituiu Pelé na seleção em 1962, quando o Rei sofreu uma distensão. Chamado de “Possesso”, jogou no ano seguinte pelo Milan contra o Santos, na grande decisão do Mundial de Clubes. Leio agora na coluna Gente Boa, de O Globo, que o velho Amarildo se encontra desempregado, tentando o cargo de técnico do América do Rio, mas parece que a coisa está difícil para o seu lado. Não lhe faltam referências. O Possesso jogou na Itália e foi campeão do mundo. Acha que não encontra emprego no Brasil porque ninguém se lembra mais dele. É uma história que merece certa reflexão.

Obs. Depois de publicar esta coluna fiquei sabendo que o Santos vendeu Maldonado, enfraquecendo seu meio de campo. Leão disse também que “a qualquer momento podemos perder o Kléber”. Tudo isso só reforça a impressão de uma expectativa modesta do clube em relação a 2008. Um time que troca Maldonado por Marcinho Guerreiro tem de saber até onde pode ir.

(Coluna Boleiros, 15/1/08)

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