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Reidy, a Construção da Utopia

Luiz Zanin Oricchio

11 de novembro de 2011 | 12h12

Reydi, a Construção da Utopia, de Ana Maria Magalhães, tem o mérito de trazer de volta o nome do importante arquiteto brasileiro Affonso Eduardo Reidy.

Nascido em Paris e radicado no Rio, Reidy faz parte dessa grande escola de arquitetos humanistas, aqueles que pensavam esteticamente e no bem-estar do ser humano quando rascunhavam em suas planilhas. A Reydi deve-se obras como o Conjunto Habitacional do Pedregulho e o Museu de Arte Moderna, uma poesia de concreto erguida no ar. Foi também ele um dos idealizadores do Parque do Flamengo, construído no aterro e um dos locais mais agradáveis e frequentados do Rio.

O documentário concentra-se em imagens da cidade do Rio de Janeiro, cujo desenho atual leva a marca de Reidy, mas também em textos deixados pelo arquiteto. Infelizmente, não existem imagens em movimento de Reidy. Sua figura é reconstruída a partir de depoimentos: de Lucio Costa, o urbanista de Brasília; da engenheira Carmen Portinho, sua parceira nos projetos do Pedregulho e do MAM. E de mais dois arquitetos: o brasileiro Paulo Mendes da Rocha e o francês Roland Castro.

Lúcio Costa traz ideias interessantes, ao dizer que Reidy era, na sua geração, o mais humanista entre todos. Também importantes as observações de Carmen Portinho, apontando como a obra de Reidy foi desfigurada pelo desordenado urbanismo carioca, que colocou um túnel sob o Conjunto Habitacional Pedregulho. Esta obra obedecia a um preceito básico do urbanismo humanista – o de que, independentemente de sua classe social, o trabalhador deve morar perto do seu local de trabalho, o que hoje soa como utopia.

Mendes da Rocha e Castro insistem nesse caráter utópico da arquitetura de Reidy. Destacam a função operante da utopia, que é permitir o progresso e o avanço de ideias, mesmo que ambos se deem em direções e intensidades diferentes daquelas sonhadas pelo utopista. Os depoimentos, no entanto, por vezes se esquecem do personagem central e se perdem em divagações.
Não raro, o próprio filme perde o foco e demora-se para voltar ao tema em pauta. Há certa sensação de inchaço em algumas partes, como se a falta de diversidade do material visual exigisse o alongamento dos depoimentos para cumprir o tempo de longa-metragem.

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