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Recife 2010 Um balanço dos longas-metragens

Luiz Zanin Oricchio

04 de maio de 2010 | 18h10

Conforme prometi, segue aí o balanço do Cine PE 2010, encerrado domingo à noite. Entre os longas, na prática, foi um festival de filme só, daí o domínio tão amplo de As Melhores Coisas do Mundo, com seus oito troféus Calunga. Tivemos uma certa dificuldade para eleger o filme de Laís Bodanzky na premiação da crítica, porque havia o argumento de que não era um concorrente inédito. De fato. Era inédito no Recife, portanto elegível, conforme o regulamento. Mas para nós, jornalistas, podia parecer um pouco déjà vu. No entanto, como era concorrente, e dentro das normas, disputava como os outros. E era muito superior a qualquer dos seus possíveis rivais.

A saber: Léo e Bia, de Oswaldo Montenegro, apesar de ser um filme simpático, é cinematograficamente muito ingênuo. Já Não se Pode Viver sem Amor parece cheio demais de problemas. O maior deles, em minha opinião, a maneira como o realismo e o universo mágico (não) interagem de forma orgânica, criando uma estranheza que provavelmente não estava nos planos do diretor. O Homem Mau Dorme Bem, de Geraldo Moraes, já havia sido apresentado em Brasília e tem qualidades, mas não chega a empolgar, em especial por causa de sua narrativa enrolada. Há um desfecho, com a descoberta da identidade de um dos personagens que chega a ser muito esquisita. O público riu. Quando não devia. Sequestro, de Wolney Attala tem seus momentos de tensão, em sua estrutura em forma de thriller, mas é muito mau pensado, em especial do ponto de vista ético. Cinema de Guerrilha, de Evaldo Mocarzel desperdiça uma situação muito propícia, prejudicada pela pressa e pela ânsia de produzir em série.

Resumindo: a seleção de longas-metragens teve um nível de razoável para bom. Não sei se havia títulos disponíveis, mas seria bom talvez mesclar obras de narrativa mais tradicional com outras mais experimentais. Nesse bom cozido, ficou faltando o tempero da ousadia, tanto formal como temática.

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