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Recife 2010 Quincas Berro d’Água

Luiz Zanin Oricchio

02 de maio de 2010 | 10h43

Rolou bem a sessão de Quincas Berro d’Água, fora de concurso no Cine PE. Com Paulo José no papel do defunto farrista baiano, o diretor Sérgio Machado optou por uma adaptação bem movimentada da novela de Jorge Amado. Machado faz seus personagens desfilarem por uma Salvador noturna, dos bairros pobres, do Pelourinho, dos botecos e pensões da noite. O filme tem clima. Às vezes um pouco histérico, mas a autenticidade no mergulho da “baianidad”de Jorge Amado é total. Para quem não lembra: a história é de um funcioário exemplar, Joaquim, que cansado da monotonia da vida, abandona emprego, família e a casa e cai na gandaia entre as putas e os malandros da Cidade Baixa. Quincas morre em seu quarto miserável e a família, num último arroubo de dignidade, decide enterrá-lo como um figurão. Mas os malandros se apoderam do cadáver e saem com ele pela noite da Bahia, para uma última farra.

O filme teve ótima recepção. É mesmo engraçado e, apesar de momentos de excesso visual e sonoro, mantém um ritmo muito fluente. Machado, diretor da ótima ficção Cidade Baixa, tem mão para ambientar seus personagens nessa Bahia não oficial, com seus tipos amadianos que ele parece amar e conhecer muito bem. Há também um quê nostálgico de uma vida além da existência formal e oficial, cheia de regras e entraves. Jorge Amado glorificava seus malandros, esses perdedores da vida real, mas que não raro tem um sentido da existência muito mais agudo do que a dos senhores engravatados.  

Um última observação: Paulo José, interpretando o defunto, está ótimo. É mais difícil de fazer do que se pensa.

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