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Recife 2010. O Bem-Amado: Sucupira é o Brasil

Luiz Zanin Oricchio

28 de abril de 2010 | 09h12

Talvez para as novas gerações seja mais fácil gostar de O Bem Amado, de Guel Arraes. Elas não viram a novela e a minissérie e estão livres de comparações com o passado. Não viram Paulo Gracindo, Lima Duarte, etc.

Isso não quer dizer que Marco Nanini como Odorico Paraguaçu, ou José Wilker, como  Zeca Diabo ou Matheus Nachtergaele, como Dirceu Borboleta (na TV era Emiliano Queiroz) não esteja ok. Nada disso. São ótimos atores. Mas talvez a química não seja a mesma.

Há razões para isso. Guel investiu numa estética over, que acaba se revelando um tanto cansativa. Certo, trata-se de uma farsa, mas mesmo uma farsa pode (talvez deva) ter seus pontos de repouso, ou de, pelo menos, uma redução de ritmo. Mas eis aí um dos problemas – ritmo. O de O Bem Amado é acelerado demais, como se ele tivesse sido montado para ser exibido num embalo de sábado à noite, por assim dizer.

Não lhe faltam qualidades, além dos atores. O texto de Dias Gomes está presente. Com algumas atualizações. Por exemplo, o opositor de Odorico é o jornalista comunista vivido por Tonico Pereira, e se revela um corrupto igual ao seu adversário. Na coletiva, perguntei a Guel se isso não reforçaria o preconceito de que “todos são iguais” e portanto justificaria o desinteresse pela política, já que não existem alternativas e ninguém presta. Ele me responde que o contraponto seria o jornalista vivido por Caio Blat, idealista e ético. Mas a participação dele no filme me parece insuficiente para insinuar esse contraponto. Guel usa também imagens documentais para registrar a articulação entre a imaginária Sucupira e o Brasil real, com a queda do governo Goulart, a posse dos militares, a ditadura e a redemocratização. No final, veem-se cenas das Diretas-Já na Praça da Sé.

O Bem Amado insinua a continuação da história brasileira depois que o País se redemocratizou e passou a eleger seus presidentes. Não parece muito animador. E o recurso final, com um mapa do Pais no qual se lê a palavra “Brasil”, que logo se transforma em “Sucupira” me parece por demais didático. Mas voltaremos ao filme quando estrear.

Por ora, uma avaliação subjetiva: não me diverti tanto quanto previa.

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