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Recife 2010 Não se Pode Viver sem Amor

Luiz Zanin Oricchio

01 de maio de 2010 | 12h05

Não se Pode Viver sem Amor, de Jorge Durán, é o último longa-metragem concorrente do Cine PE. Foi recebido de maneira gélida pelo em geral caloroso público do Recife. Há motivos. Essa espécie de fábula natalina do diretor chileno, radicado no Brasil, não deixa de ter seus sérios problemas. Trabalha com uma série de personagens que se encontram por acaso nesse dia, no Rio de Janeiro. Uma mulher que procura o pai de um estranho menino, capaz de materializar seus desejos; um pesquisador que deseja se mudar para o exterior mas para isso precisa desfazer um casamento; um jovem advogado desesperado atrás de dinheiro para tirar uma garota de programa da zona e casar-se com ela.

Alguma coisa não dá liga entre os registros realista e fantástico. O filme inclui até mesmo uma ressurreição (Rogério Fróes), o que significa uma ousadia contrária ao senso comum, que um dia pôde ser assumida por um Carl Dreyer, mas é recurso difícil de se admitir como usual. Há que ter um certo pudor em recorrer a ele.

O filme tem méritos, em algumas boas atuações, mas no final derrapa para uma série de encontros improváveis, uma camisa de força de roteiro que não encontra ressonância em quem vê a obra. A não ser que você já esteja previamente predisposto a gostar, precisa de algum enlace interno que te traga para dentro do filme. Não rola.

Há uma vasta discussão em torno disso tudo, subjacente às possíveis críticas ou elogios que o filme possa despertar.  A pergunta é se o cinema precisa se restringir ao realismo, o que é óbvio que não. Se, ao sair desse registro, preferencial no mainstream, e mesmo na TV, ele consegue sensibilizar o espectador, o que às vezes dá certo e outras, não.

De qualquer forma, o recurso ao fantástico, ou, digamos assim, o desafio às leis lógicas não é responsável pelas falhas de estrutura do novo filme de Durán, mas a maneira como isso é feito ao longo da narrativa. Algo aí vacila, tropeça e se torna artificial. A recepção glacial mostra que algo não funcionou a despeito das boas intenções do diretor e do seu ótimo currículo, que inclui o ótimo e recente Proibido Proibir.

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