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Recife 2010 Filmes melhores que os do ano passado

Luiz Zanin Oricchio

30 de abril de 2010 | 14h32

Recife 2010 Pré-balanço dos longas-metragens

A semana passou voando e já estamos chegando ao final do 14º Cine PE. Falta ainda ver Não se Pode Viver sem Amor, de Jorge Durán, que passa hoje à noite e é o último concorrente. Amanhã é a vez de Quincas Berro d’Água, de Sérgio Machado, mas fora de concurso.

Por enquanto, o que se pode dizer é que o nível dos longas melhorou em relação aos dos últimos dois anos. Nada de empolgar, porém. O enófilo Alfredo Bertini, diretor do festival, disse que tudo era questão de safra. Certo,  dá para degustar sem susto, mas não temos nenhum Chateau Margaux na presente colheita.

Cinema de Guerrilha, de Evaldo Mocarzel, já comentei em outro post.

De O Homem Mau Dorme Bem, de Geraldo Moraes, e As Melhores Coisas do Mundo, de Laís Bondanzy, há pouca coisa a dizer de novo. O primeiro já passara no Festival de Brasília do ano passado; o segundo, está em cartaz em São Paulo e outras cidades. Cabe apenas registrar a bela recepção que teve o filme de Laís, em especial entre o público jovem, que acorreu em massa ao Cine Teatro Guararapes atraído (as meninas, claro, pelo menos em sua maioria) pelo astro Fiuk, que trabalha na Malhação. Fiuk não veio, mas elas gostaram do filme assim mesmo. Em lugar de Fiuk, o teen Francisco Miguez foi eleito o garoto da hora, sofreu com e desfrutou da tietagem.

Léo e Bia, estreia na direção do cantor e compositor Oswaldo Montenegro é um filme inofensivo. Baseado numa peça do próprio autor, reúne sete jovens que vivem em Brasília durante os anos mais difíceis da ditadura militar. Sonhos, aspirações, angústias – tudo numa linguagem assumidamente teatral, que não chega a incomodar, mas tampouco comove. Já Montenegro conquistou a todos com sua simpatia e simplicidade. Aceitou as críticas ao filme e deu uma lição de maturidade a muito cineasta badalado. Disse que ninguém é obrigado a gostar das obras alheias, o que é de elementar bom senso.

Já Sequestro, de Wolney Atala, é bem mais problemático. O doc segue vários casos de investigação da divisão anti-sequestro da polícia paulistana. Acompanha o drama dos parentes das vítimas, que tem de lidar com os sequestradores e seus pedidos de resgate. Testemunha também o desfecho de alguns casos e registra o desespero das vítimas. Trabalha com imagens de alto impacto emotivo. Não precisaria, por isso, dramatizá-las ainda mais e também turbiná-las com uma trilha sonora rebarbativa, que chantageia e joga com a emoção do espectador. Nem precisaria responsabilizar a antiga esquerda armada pela onda de sequestros de criminosos comuns. A esquerda, coitada, já tem problemas suficientes hoje em dia para responder por mais esta acusação. Coleguinhas não estranharam essas referências, mas um dos problemas da ignorância (histórica, inclusive) é que você se torna vulnerável e aceita tudo que lhe dizem. Ou mostram.

Mas, enfim, o ponto de vista constante do filme é o da polícia e fixa-se em referências fortes, como um delegado de fina estampa, que levou algumas frequentadoras do festival a dizer que não teriam nada a reclamar caso fossem sequestradas por ele.

No debate, Atala fugiu das questões. Quem o criticava pelas escolhas de linguagem adotadas recebia a resposta de que “meu filme não é sobre fotografia e nem sobre música”. O que é óbvio. Mas a maneira como se fotografa, ou se coloca uma trilha sonora, ou se decupam depoimentos, e como estes são montados, não é nunca neutra. Tudo determina opções de leitura do filme e a deste, claramente, leva numa direção não reflexiva e catártica. Parece uma espécie de versão documental da ficção Tropa de Elite. Enfim, um filme ainda a ser discutido. Quando alguém lhe perguntou quais eram suas referências cinematográficas, Atala, candidamente respondeu que era o seriado 24 Horas. No comments.

Depois falo dos curtas, alguns bem interessantes.