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Recesso de Natal e a História de Cuba

Luiz Zanin Oricchio

23 de dezembro de 2006 | 21h30

Gasto esses dias de recesso dando caminhadas pela praia (quando o tempo permite) e lendo alguns livros. Leio preguiçosamente, na rede, sem pressa, dormindo um pouco, fumando de vez em quando um dos ótimos Havanas que trouxe de Cuba. E por falar nela, uma dessas leituras é Cuba – uma Nova História, de Richard Gott (Jorge Zahar Editor), um britânico que conhece a ilha desde os anos 60 e não nutre preconceitos nem ufanismos em relação a ela. Gott entrevistou Guevara, esteve com Fidel e Raúl, enfim, conheceu várias autoridades cubanas e, sobretudo, viajou várias vezes para lá, abriu os olhos para ver a realidade do país e não embarcou nem no otimismo inabalável da esquerda nostálgica da revolução e nem no ódio conservador a Cuba, que existe desde o tempo da Guerra Fria. O resultado é um livro dos mais interessantes, que traça uma rápida história do país, desde os tempos da colonização espanhola até entrar na fase mais apaixonante, a da revolução e seus desdobramentos.

A tese ousada de Gott – que poderá ser comprovada ou refutada em breve – é que, sob a aparente imobilidade, a transição em Cuba já aconteceu quando Fidel Castro passou o poder decisório a jovens talentosos como Carlos Lage e Ricardo Alarcón. Segundo Gott, Fidel teria dito que “quando não se partilha o poder com os jovens, eles o tiram de você”. O exemplo, negativo, teria vindo da gerontocracia soviética.

Nesse painel, Gott não esconde os grandes problemas de Cuba, como a falta de democracia e o atentado aos direitos humanos, e também não se omite quanto às conquistas no campo da educação e da saúde, em especial. Não interessa se a gente é contra ou a favor de alguma idéia; o que importa é discuti-la e tentar entendê-la.

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